SÃO PAULO - A inflação abaixo do estimado e a indicação de acomodação na produção industrial tiveram pouca influência sobre a formação da curva de juros futura brasileira. O acúmulo de prêmio foi determinado pela aversão global a risco, resultado da preocupação mundial com a inflação e de novas perdas no setor financeiro.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com ganho de 0,05 ponto, a 15,19% ao ano, depois de bater 15,32% na máxima. O vencimento janeiro 2011 fechou estável a 15,41%. E janeiro 2012 avançou 0,06 ponto, para 15,16%.

Na ponta curta, agosto de 2008 encerrou com alta de 0,03 ponto, para 12,27%. Setembro de 2008 também subiu 0,03 ponto, para 12,51%. E o vencimento para outubro de 2008 fechou a 12,74%, de 0,02 ponto. Em direção contrária, janeiro de 2009 apresentou queda de 0,02 ponto percentual, para 13,36%, anuais.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 955.295 contratos, equivalentes a R$ 80,04 bilhões (US$ 50,28 bilhões), montante 52% maior do que o movimentado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 471.445 contratos, equivalentes a R$ 38,05 bilhões (US$ 23,91 bilhões).

Segundo gestor de renda fixa que prefere não se identificar, o que está fazendo o preço dos juros futuros é o comportamento das commodities, em especial do petróleo. Essa influência das matérias-primas está fazendo um preço muito forte em função do impacto na inflação e na desaceleração da economia.

Para exemplificar essa correlação, o gestor aponta que os DIs bateram as máximas quando o petróleo também operava no ponto mais alto do dia, e que as curvas recuaram um pouco conforme a cotação do barril declinava em Nova York.

O nosso mercado está operando isso também, parece que está de olho só na variável petróleo. Saíram alguns dados hoje, mas o mercado não deu muita importância , disse, em referência ao Índice Consumidor Semanal (IPC-S), que recuou para 0,77% no fim de junho após leitura de 0,89% na terceira medição do mês, e à queda de 0,5% na produção industrial de maio.

Segundo o especialista, já começa a aparecer um limite para essa alta do petróleo. Nesse nível de preço o mercado não consegue se sustentar. Enquanto ele subia sem afetar outras variáveis, não incomodava tanto. Agora a coisa muda de figura.

No entanto, mesmo que os preços das commodities parem de subir, já existe uma inflação contratada, explica o gestor, lembrando que todo o repasse da recente escalada de preços ainda não foi completamente absorvido. O que justifica a elevação nos prêmios de risco na curva de juros. O mercado futuro vai continuar nervoso enquanto as commodities seguirem em alta.

Com relação ao comportamento do Banco Central brasileiro, o gestor acredita que o ritmo de elevação da Selic, de 0,5 ponto por reunião está adequado. Mas o ciclo pode se estender até o primeiro trimestre de 2009.

Para o gestor, depois do reajuste nas previsões de inflação durante o primeiro semestre, a segunda metade do ano deve ser marcada por revisões nas expectativas de crescimento. Para o especialista, o ritmo de crescimento da economia brasileira deve recuar para cerca de 3% no ano que vem.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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