SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam sem tendência definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os agentes repercutem os dados sobre a produção industrial brasileira e acompanham o comportamento do dólar e do petróleo no mercado internacional.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 recuava 0,04 ponto percentual, para 14,58%. Janeiro 2011 registrava estabilidade a 14,16%. E janeiro 2012 apontava 13,81%, desvalorização de 0,01 ponto.

Na ponta curta, outubro de 2008 avançava 0,04 ponto, a 13,32%. Novembro de 2008 ganhava 0,01 ponto, para 13,45%. E janeiro de 2009 era negociado a 13,87%, sem alteração.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial subiu 1% em julho, desacelerando de 2,9% em junho, mas ainda acima do esperado. Perante julho de 2007, foi registrado crescimento de 8,5%, completando 25 meses de expansão nessa medida.

A economista-chefe da Arkhe Corretora, Inês Filipa, comentou que os dados sobre a produção industrial têm efeito maior sobre os vencimentos curtos, pois reforçam a visão de que o Banco Central (BC) fará novo ajuste de 0,75 ponto percentual na taxa Selic na reunião agendada para a semana que vem.

Tomando o conteúdo da ata referente à reunião de julho, Inês aponta que o foco do BC é combater uma inflação de demanda e que os dados disponíveis ainda sugerem que as vendas no varejo seguem avançando de forma mais acentuada que o crescimento da produção industrial. Parte desse descompasso é suportado pelas importações, mas essa compensação não tem se mostrado suficiente.

Já os vencimentos longos, segundo a economista, estão mais relacionados aos fatores externos. A queda no preço do petróleo no mercado externo tem efeito positivo sobre os juros futuros, pois reduz a incerteza inflacionária. Em compensação, a baixa no preço da matéria-prima é acompanhada por uma valorização do dólar, que leva a uma anulação do impacto da energia mais barata.

Inês lembra que, toda a vez que o petróleo perde valor, melhora a expectativa quanto à inflação nos Estados Unidos, o que também ajuda na perspectiva de crescimento da economia, e, por fim, acaba fortalecendo o dólar.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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