SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de vencimento longo voltaram a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) nesta quarta-feira. O movimento de queda continua apoiado na expectativa de melhora da trajetória de inflação e ciclo de aperto monetário mais curto.

Contribuindo com essa idéia, a Fundação Getulio Vargas (FGV), anunciou hoje que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) recuou de 1,89% em junho, para 1,12% no mês passado.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com baixa de 0,07 ponto, a 14,63% ao ano. O vencimento janeiro 2011 perdeu 0,02 ponto, para 14,21%, e janeiro 2012 avançou 0,02 ponto, para 13,85%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para setembro de 2008 teve alta de 0,02 ponto, para 12,88%. Outubro de 2008 caiu 0,01 ponto, para 13,08. Novembro de 2008 teve alta de 0,01 ponto, para 13,30%, e janeiro de 2009 fechou com perda de 0,02 ponto, a 13,74%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 590.015 contratos, equivalentes a R$ 49,07 bilhões (US$ 31,19 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 295.015 contratos, equivalentes a R$ 24,33 bilhões (US$ 15,47 bilhões).

Segundo o gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra, tal configuração das curvas é natural devido à apresentação de dados de inflação um pouco melhores. Além disso, diz o especialista, se consolida a idéia de que o Banco Central fará novo ajuste de 0,75 ponto na Selic, elevando a taxa para 13,75% ao ano na reunião de setembro.

As coisas começam a se encaminhar para que no final, a alta de juros seja menor do que a anteriormente imaginada. A inflação dá surpresas positivas depois de quase quatro meses de preços bastante elevados, avalia.

Outro fator que ajuda na construção de um cenário inflacionário benigno é o recuo no preço das commodities, em especial do petróleo. Não se sabe se é tendência de baixa, mas, pelo menos, o preço já está 20% a 30% mais barato, afirma.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional promoveu hoje leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Foram aceitas 215 mil LFT, das 500 mil ofertadas. A aceitação de LTN foi mínima, apenas 100 mil letras de um total de 3 milhões ofertadas. Os dois leilões movimentaram R$ 851 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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