SÃO PAULO - Superando a instabilidade do começo do pregão, os contratos de juros futuros de vencimento longo voltaram a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava baixa de 0,08 ponto percentual, para 14,64%. Janeiro 2011 fechou com perda de 0,09 ponto, para 15,36%, e janeiro 2012 apontava 15,66%, desvalorização de 0,10 ponto.

Na ponta curta, o movimento foi de alta, com o DI para dezembro de 2008 avançando 0,23 ponto percentual, para 13,33% ao ano. E o DI para janeiro de 2009 apontava ganho de 0,07 ponto, a 13,60%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 265.110 contratos, equivalentes a R$ 23,27 bilhões (US$ 9,90 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 123.330 contratos, equivalentes a R$ 10,61 bilhões (US$ 4,51 bilhões).

Segundo o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, o comportamento das curvas nas últimas semanas denota uma mudança na expectativa quanto à condução da política monetária no Brasil.

Para o professor, a inflação, mesmo com a alta no preço do dólar, está controlada e deve recuar um pouco já em 2009. E há necessidade de restabelecer as linhas de crédito para setores relevantes, como automotivo, agrícola e imobiliário, para garantir a continuidade das atividades. "Já existe consenso de que há espaço para que o Banco Central reduza a taxa de juros em 2009."
De acordo com Leite, a prioridade do governo começa a mudar, com o combate ao aumento de preços cedendo lugar para a necessidade de estimular o crescimento econômico.

Na agenda do dia, os dados sobre o crédito durante o mês de outubro, que mostram que a crise ainda não teve um efeito muito acentuado sobre a concessão de empréstimos. Porém, os juros cobrados já estão maiores.

Segundo o BC, o volume global de crédito do sistema financeiro atingiu 40,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 1,187 trilhão, no mês passado, crescimento de 2,9% sobre setembro. Mas as concessões de crédito caíram 3% e a taxa média teve alta de 2,5 pontos percentuais, saindo de 40,4% em setembro para 42,9% no mês passado.

Na avaliação de Leite, os dados ainda não captaram o pior momento para o crédito, que deve se revelar entre novembro e janeiro. Além disso, o especialista aponta que há certa influência nos números em função da inércia de créditos de longo prazo já concedidos.

Um sinal de que os dados já estão defasados, na avaliação do professor, é que o próprio governo vem trabalhando em medidas para estimular os empréstimos em alguns segmentos da economia.

Na gestão da dívida, o Tesouro Nacional realizou leilão tradicional de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B). De acordo com o resultado prévio, dos 600 mil títulos ofertados, 450 mil foram comprados, movimentando R$ 641,98 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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