SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros começaram a semana em alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), mas a formação da taxa é pouco indicativa devido à baixa liquidez do mercado.

Os agentes reagiram aos dados do boletim Focus do BC e à contínua valorização do dólar. Com isso, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com alta de 0,08 ponto, a 14,67% ao ano. O vencimento janeiro 2011 avançou 0,13 ponto, para 14,41%, e janeiro 2012 ganhou 0,15 ponto, para 14,15%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para setembro de 2008 perdeu 0,02 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 ganhou 0,01 ponto, para 13,12%. Novembro de 2008 também subiu 0,01 ponto, para 13,32%, e janeiro de 2009 encerrou estável, a 13,72%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 266.010 contratos, equivalentes a R$ 21,69 bilhões (US$ 13,44 bilhões), montante 53% menor que o registrado na sexta-feira e um dos mais baixos do ano. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 146.255 contratos, equivalentes a R$ 12,09 bilhões (US$ 7,49 bilhões).

Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, os dados do Focus foram positivos, com os agentes passando a prever inflação dentro da meta para 2008. No entanto, as projeções do Top 5, grupo composto pelas cinco instituições que mais acertam os prognósticos, foram em direção contrária ao prever inflação maior para 2008 e 2009.

Pela mediana das previsões, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar 2008 em 6,45%, dentro da meta de inflação que tem teto em 6,5%. Para 2009, a projeção seguiu ancorada em 5%, pela quarta semana consecutiva. Mas pela mediana do Top 5, o IPCA deve ficar em 6,66% em 2008, avançando de 6,52% na semana anterior. Para 2009, a estimativa subiu de 5,0%, para 5,10%.

A valorização do dólar, que marcou hoje o sexto pregão de alta ante o real, também deixa os agentes cautelosos. Segundo Petrassi, existe certa preocupação com possibilidade de a moeda deixar de ajudar no combate da inflação.

Outro fator a contribuir para a alta nas curvas foram os dados sobre a criação de empregos na indústria. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego no setor cresceu 0,5% em junho. Produção forte é vista como sinal de demanda forte. E um dos pontos de preocupação do Banco Central é o descompasso entre a oferta e a demanda.

Depois do forte fechamento (queda) de taxa das últimas semanas, as curvas estão corrigindo a baixa em cima desses fatores, resume o especialista.

Para Petrassi, o Banco Central deve seguir com o ajuste de 0,75 ponto percentual na Selic em setembro e determinar mais duas elevações de 0,5 ponto em outubro e dezembro.

Segundo o especialista, o preço desse aperto monetário de 350 pontos base, com a Selic partindo de 11,25%, para 14,75% será uma desaceleração maior da economia.

O gestor lembra que o último ajuste dessa magnitude custou cerca de 2,5 ponto percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e tal estrago deve ser observado novamente. Para o ano que vem, Petrassi estima crescimento do PIB em 3,2%.

O que preocupa dentro desse cenário é como o governo fechará suas contas em 2009. O gestor avalia que o menor crescimento resultará em queda na arrecadação. Por outro lado, não há sinalização do governo para a redução de gastos. No ano que vem, dificilmente, o governo bate o superávit de 4,25%, pois a economia vai desacelerar sem corte de gastos na mesma proporção, afirma.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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