SÃO PAULO - Depois de um pregão bastante instável, os contratos de juros futuros encerram a terça-feira apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

A falta de direcionamento da curvas refletiu o conjunto de dados díspares à disposição dos agentes. O crescimento da produção industrial favorece a continuidade do aperto monetário no mercado doméstico, o que ajuda a explicar a elevação nos vencimentos curtos. Já a ponta longa ficou dividida entre a melhora na perspectiva inflacionária trazida pela queda no preço do petróleo e a preocupação com o rumo da taxa de câmbio.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava estabilidade a 14,62% ao ano. O vencimento janeiro 2011 subiu 0,07 pontos, a 14,23%, e Janeiro 2012 valorizou 0,09 ponto, para 13,91%.

Entre os curtos, o vencimento para outubro de 2008 avançou 0,02 ponto, para a 13,30%. Novembro de 2008 encerrou a 13,47%, alta de 0,03 ponto. Dezembro de 2008 não teve alteração, fechando a 13,67%. E o DI para janeiro de 2009 fechou com alta de 0,01 ponto, a 13,88% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 416.105 contratos, equivalentes a R$ 34,93 bilhões (US$ 21,24 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 152.510 contratos, equivalentes a R$ 21,71 bilhões (US$ 7,73 bilhões).

Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, a puxada de alta nos vencimentos longos deve ser encarada como uma reação técnica, pois não saíram notícias que justificassem esse acúmulo de prêmios.

Na avaliação do especialista, a preocupação que alguns agentes demonstram com a valorização do dólar é pouco fundamentada. Nepomuceno lembra que a divisa norte-americana ganha valor no mundo todo e que as commodities seguem com viés de baixa. Ou seja, a inflação importada que prejudicou o país três meses atrás está caindo, afirma.

Quanto à condução da política monetária, Nepomuceno afirma que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar um novo aumento de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião da semana que vem. A demanda aquecida é a preocupação do Banco Central (BC), por isso ele vai manter a mão forte, avalia.

Para o especialista, além do 0,75 ponto em setembro, o BC deve anunciar mais duas alta de 0,5 ponto em outubro e dezembro, e fazer mais um reajuste na taxa básica em janeiro de 2009.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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