SÃO PAULO - Depois de um começo de pregão bastante instável, os contratos de juros futuros longos passam a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Segundo o economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Vieira, a formação das taxas está dividida entre a baixa na inflação, indicada pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), e o ritmo de crescimento da economia, apontado pela produção industrial de junho.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 operava com baixa de 0,05 ponto, para 14,83%. Janeiro 2011 registrava perda de 0,07 ponto, 14,48%. E janeiro 2012 apontava 14,07%, desvalorização de 0,08 ponto.

Na ponta curta, agosto e setembro de 2008 não registravam negócios. O contratos para outubro de 2008 caía 0,01 ponto, para 13,07, depois de subir a 13,27%. E o contrato com vencimento em janeiro de 2009 registrava alta de 0,03 ponto, para 13,74%.

Segundo o economista, o IPC-S de julho, que marcou 0,53%, ficando abaixo esperado, melhora a perspectiva inflacionária de longo prazo e leva os agentes a apostar em um ciclo curto de ajuste monetário. Tal interpretação dos dados promove a baixa nos vencimentos longos.

No entanto, a alta de 2,7% na produção industrial de junho, a maior desde outubro do ano passado para a série com ajuste sazonal, reforça a idéia de que o Banco Central (BC) manterá o aperto monetário, influenciando a formação da ponta curta.

Viera lembra que, independente do comportamento da inflação agora, o BC não mudará a política de juros, mas que dados menos pressionados como o IGP-M e o IPC de julho ajudam a vislumbrar um ajuste de taxa mais curto.

Quanto à condução da política monetária, o economista acredita que a alta de 0,75 ponto percentual na Selic foi um movimento pontual para conter a piora nas expectativas. Para as reuniões de setembro e outubro, Vieira crê em retomada do ritmo de 0,5 ponto. Em dezembro, o ajuste já seria de 0,25 ponto.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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