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Mercados: Investidor ignora corte de juros e Bolsa recua mais 3,85%

SÃO PAULO - Mesmo com notícias boas para a economia global, a bolsa paulista amargou mais um dia de baixa, depois de registrar forte oscilação ao longo do pregão. Mesmo com a ação coordenada de bancos centrais de nações desenvolvidas para um corte global de juros, os agentes continuam céticos e insistem em um pessimismo relacionado mais à falta de confiança do que ao custo do dinheiro.

Valor Online |

O Ibovespa caiu 3,85%, para 38.593 pontos, o menor patamar desde o dia 11 de outubro de 2006 (38.322). O giro financeiro foi de R$ 7,401 bilhões. Depois de cair mais de 6% no início dos negócios, o Ibovespa diminuiu a queda e chegou a operar no azul por um tempo, mas inverteu completamente na reta final dos negócios. O medo dos investidores de fechar o dia com posições compradas e amanhecer com novas surpresas impediu que o índice fechasse em alta.

Logo cedo o Federal Reserve (Fed) anunciou redução da taxa de juro dos Estados Unidos de 2% para 1,5%. Outros bancos centrais do mundo, como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra, tomaram a mesma medida. O BCE cortou o custo do dinheiro de 4,25% para 3,75% e a autoridade monetária britânica o diminuiu de 5% para 4,5%.

Também cortaram a taxa de juro o Banco do Canadá, o BC da Suécia e o Banco Nacional Suíço. O Banco do Japão, segundo o Fed, expressou forte apoio a essas ações de política monetária.

A decisão coordenada foi muito bem recebida pelos analistas, e inclusive era uma demanda do mercado. Mas a medida não se revelou suficiente para debelar o pessimismo dos investidores. A bolsa paulista perseguiu os índices de Nova York, mas com variações de uma a duas vezes maiores do que as registradas em Wall Street.

No fechamento dos negócios, o índice Dow Jones caiu 2%, para 9.258 pontos. O Standard & Poor´s 500 apontou recuo de 1,13%, para 984 pontos, e o eletrônico Nasdaq declinou 0,83%, para 1.740 pontos.

"O que se discute hoje não é o custo do dinheiro e sim a confiança. Antigamente um custo mais baixo resultava em aumento do crédito, mas hoje a determinação dos bancos é não emprestar devido às grandes perdas que tiveram e o medo de perderem mais", diz André Simões Cardoso, gestor de fundo de renda variável da Modal Asset Management.

Na avaliação dele, as reações serão mais positivas quando os governos, sobretudo dos Estados Unidos, tomarem a decisão de injetar dinheiro nos bancos em dificuldades por meio de compra de ações, a exemplo do que fez o governo da Inglaterra. Nesse caso, o estresse seria amainado e a quebra de confiança restaurada.

Nicholas Barbarisi, diretor de operações da Hera Investment, afirma também que a queda de hoje mostra a relutância dos agentes de fechar o pregão com posições de risco. Assim, o movimento de compras de ações não se sustentou na reta final, nem em Wall Street, nem na Bovespa.

Ao final da sessão, as blue ships locais, que estavam operando em alta, inverteram o rumo. Entre os ativos de maior peso na carteira, Petrobras PN caiu 5,65% (R$ 26,70); Vale PNA cedeu 0,76% (R$ 25,80); BM & FBovespa ON teve alta de 5,97% (R$ 7,45); Bradesco PN se desvalorizou 0,39% (R$ 25,30); e Vale ON declinou 0,06% (R$ 29).

Os papéis do setor elétrico, cujas empresas são muito endividadas em dólar, estiveram entre as maiores baixas do dia. Cesp PNB caiu 17,26% (R$ 10,30), Cemig PN cedeu 12,18% (R$ 31) e CPFL Energia ON declinou 11,88% (R$ 30,85).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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