SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começa a semana instável, com os investidores embolsando lucros enquanto esperam mais detalhes sobre o plano dos Estados Unidos para tirar os ativos ilíquidos do mercado de crédito. Depois dos ganhos do começo do pregão, por volta das 13 horas, o Ibovespa perdia 0,85%, aos 52.

601 pontos. O giro financeiro se situava em R$ 2,22 bilhões.

O gestor de renda variável da Umuarama Corretora, Rafael Moyses, observou que o mercado volta para a racionalidade depois da euforia da quinta e sexta-feira da semana passada, quando o Ibovespa ganhou mais 15%, seguindo a expectativa quanto à criação de uma agência nos Estados Unidos para concentrar os créditos podres dos bancos.

"A alta foi muito acentuada e, agora, o investidor está colocando os ganhos no bolso enquanto espera novos detalhes sobre o plano", resume.

Em Wall Street, o dia também é de baixa. Há pouco, o Dow Jones recuava 1,76%, enquanto o Nasdaq caía 2,26%.

De acordo com o gestor, as dúvidas envolvendo o plano de US$ 700 bilhões anunciado no fim de semana passam pela aprovação do projeto no Congresso dos Estados Unidos e quais podem ser as modificações determinadas pelos parlamentares norte-americanos. Os agentes também se perguntam se tal plano terá efeito positivo sobre o lado real da economia norte-americana, que segue desacelerando.

" O risco de quebra de instituições financeiras não existe mais e isso fez o mercado melhorar bastante. Agora vamos ver como ficam os dados da economia e o resultado das empresas " , afirma Moyses.

Dentro do Ibovespa, atenção para as ações da Petrobras, que seguem avançando em linha com o preço do petróleo. Há pouco, o papel PN da estatal valia R$ 35,31, alta de 0,94%.

Puxando as baixas, Vale PNA cedia 2,03%, a R$ 36,09, e CSN ON recuava 1,26%, a R$ 51,34. Os bancos também perdem valor, com a ação PN do Itaú desvalorizando 2,59%, a R$ 31,17. O papel PN do Bradesco declinava 1,44%, negociado a R$ 29,96.

Destaque para a ação ON da Souza Cruz, que apresentava ganho de 4,26%, para R$ 42,55. Comgás PN subia 3,32%, transacionado a R$ 41,69, e Rossi Residencial ON valia R$ 8,0, elevação de 3,22%.

No câmbio, segue o desmanche de apostas contra o real depois que o Banco Central (BC) resolveu atuar injetando dólares no mercado na sexta-feira. Há pouco, o dólar comercial valia R$ 1,801 na venda, baixa de 1,63%, seguindo uma queda de 5,12% na sexta-feira.

O dólar também perde valor ante o euro e o iene, movimento natural já que o governo pretende colocar mais US$ 700 bilhões em circulação no mercado. O excesso de oferta tira a atratividade da moeda norte-americana e os investidores voltam a investir em commodities, como o petróleo e ouro.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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