SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros registraram forte instabilidade no começo do pregão, com os agentes recebendo uma série de indicadores de preços. Depois de um movimento de alta estimulado pela instabilidade externa, os vencimentos longos passaram a apontar para baixo.

Há pouco, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 caía 0,06 ponto percentual, para 14,60%. Janeiro 2011 registrava baixa de 0,08 ponto, para 14,20%. E janeiro 2012 apontava 13,92%, desvalorização de 0,03 ponto, depois de bater 14,03% na máxima.

Na ponta curta, outubro de 2008 apontava estabilidade a 13,12%, e janeiro de 2009 não registrava alteração, a 13,73%.

Antes da abertura dos negócios, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) que verificou alta de 0,44% na abertura deste mês. O resultado ficou abaixo do esperado.

A surpresa ficou com o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que apontou deflação de 0,01% na primeira leitura de agosto. Um mês antes, tinha avançado 1,55%. Essa mudança reflete queda acentuada nas matérias-primas e alimentos.

O destaque do dia foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,53% em julho, recuando de 0,74% em junho e ficando abaixo da mediana das expectativas, de 0,55%.

Segundo a economista-chefe da Arkhe Corretora, Inês Filipa, no geral, os dados vieram bastante positivos e parte da volatilidade observada pela manhã pode ser creditada à instabilidade na cena externa, que agora ganha contorno mais positivos com a alta nas bolsas e acentuada baixa no preço do petróleo.

Para a economista, um dos fatores que ajuda a limitar um recuo mais acentuado das curvas é que os grupos de preço relacionados à demanda, como serviços, continuam em patamares bastante elevados.

Além disso, Inês lembra que os vencimentos futuros já tinham caído muito nas últimas semanas na expectativa de dados melhores e, agora, por mais que tenham notícias positivas confirmando a queda, não há espaço para recuo adicional.

A economista também acredita que a melhora da inflação possa estimular uma alteração nas expectativas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com os agentes se dividindo entre nova elevação de 0,75 ponto percentual e redução do ritmo para 0,5 ponto. Apesar dos dados positivos, mantenho a previsão de 0,75 ponto , diz a especialista.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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