SÃO PAULO - A terça-feira ganha contorno negativo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A indicação de venda é dada pelo Ibovespa futuro, que opera em forte baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Há pouco, o contrato com vencimento em outubro caía 1,42%, para 53.800 pontos.

Pregão de queda também se desenha em Wall Street, onde fracos resultados trimestrais se somam às preocupações com o setor financeiro.

O humor que já era ruim ficou pior depois que o Departamento de Trabalho divulgou o Índice de Preços ao Produtor (PPI) referente ao mês de julho. A inflação no atacado subiu 1,2%, contra previsão de 0,6%. E o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,7%, enquanto era previsto 0,2%.

Pesando sobre o sentimento do mercado, o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kenneth Rogoff disse que o pior da crise financeira ainda está por vir e que um grande banco norte-americano irá falir nos próximos meses.

Rogoff, que é professor de economia em Harvard, também disse que o Federal Reserve (Fed) agiu de forma errada ao derrubar a taxa básica de juros do país de forma tão dramática - entre setembro de 2007 e abril deste ano a taxa caiu 3,25 pontos percentuais. A baixa dos juros irá resultar em muita inflação nos próximos anos nos Estados Unidos , sustentou.

Na sessão de ontem, além das commodities em queda, o mercado brasileiro também foi prejudicado pelas preocupações com o setor financeiro dos EUA. Depois de uma tentativa de alta pela manhã, o Ibovespa fechou o dia com declínio de 1,69%, aos 53.326 pontos, menor patamar em 11 meses. O giro financeiro somou R$ 4,52 bilhões, sendo R$ 794 milhões referentes ao exercício de opções sobre ações.

Em Wall Street, o Dow Jones diminuiu 1,55% e o Nasdaq cedeu 1,45%. O ponto de preocupação voltou a ser a saúde das financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae, que têm dificuldade para levantar dinheiro no mercado.

Na Europa, a terça-feira é de acentuada baixa para os principais mercados. Na Ásia, o dia acabou de forma negativa para a maioria dos mercados.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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