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Mercados: Incerteza retornou e Bovespa caiu 1% ontem; dólar avançou 5%

SÃO PAULO - Depois de recuperação de segunda-feira, o clima voltou ontem a ser de incerteza nas negociações dos mercados externos e local. Estreitamente atrelada ao movimento das bolsas americanas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve ligeira queda, em movimento característico de realização de lucro.

Valor Online |

Ao mesmo tempo, o dólar comercial subiu com força, acompanhando outras moedas de países emergentes, que desvalorizaram perante o dólar.

O Ibovespa encerrou com queda de 1,01%, aos 39.043 pontos. O índice oscilou entre a máxima de 39.979 pontos e a mínima de 38.083 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,382 bilhões, abaixo da média de pouco mais de R$ 5 bilhões verificada nos últimos dias. A moeda americana fechou negociada a R$ 2,229 na compra e R$ 2,231 na venda, com alta de 4,98%. Entre a máxima e a mínima, a divisa foi vendida a R$ 2,2530 e R$ 2,1350, respectivamente.

Sem indicadores de relevo nesta jornada, os agentes monitoraram balanços piores do que o esperado nos EUA e também levaram em conta a possibilidade de um plano econômico para incentivar a atividade no país. Para Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora, o humor dos mercados tende a oscilar um pouco nesta semana.

Se por um lado os investidores olham com otimismo à possibilidade de um plano para estimular a economia dos EUA, por outro os dados devem continuar mostrando estragos que a crise financeira deve causar sobre a economia dos países desenvolvidos.

Assim, mesmo tendo mudado o sinal de negativo para positivo no período da tarde, o índice não descolou da referência em Nova York, que também chegou a reduzir as baixas no mesmo intervalo.

A melhora de humor no meio da tarde ocorreu no momento em que foi divulgada a notícia de que os derivativos de crédito ligados ao Lehman Brothers haviam sido liquidados de forma ordenada. Mas a perspectiva de resultados ruins no setor de tecnologia teve um peso maior para puxar as vendas.

As commodities também não colaboraram muito para as transações no pregão local. Os preços do petróleo cederam e os metais como ouro, cobre e alumínio também caíram. Sem a ajuda das cotações internacionais de cru, as ações da Petrobras não sustentaram a valorização de um dia antes. Já a Vale conseguiu manter a alta após negar rumores de que tentaria novamente adquirir a Xstrata.

No segmento cambial, o dólar comercial teve apreciação surpreendente. Para Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management, assim como o real era a moeda emergente mais favorecida pela confiança e pela liquidez global, é natural que o real seja também a divisa que mais sofre em cenário reverso.

Além do movimento global e de alguma zeragem de posições e saída de estrangeiros, os agentes também acreditam que a alta teve impulso de operações de arbitragem no mercado futuro. A apreciação resistiu a um leilão de swap com venda integral de US$ 500,1 milhões e dois leilões de moeda no mercado à vista feitos pelo BC com menos de uma hora de intervalo. As taxas de corte foram de R$ 2,2330 e de R$ 2,23, respectivamente.

"Concordo que boa parte da alta é especulativa, mas também podem estar ocorrendo alguma saída pontual de recursos", diz Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez. Vale notar que essa apreciação insistente do dólar não deu mostras de que era motivada por falta de dólares no mercado, já que as ofertas do BC não surtiram efeito na cotação da moeda.

Analistas do segmento acreditam que a valorização dos contratos futuros pode indicar uma necessidade dos bancos de se defenderem em operações cambiais realizadas com empresas. Essas empresas não estariam honrando pagamentos, o que poderia gerar perdas cambiais para os bancos. Assim, para se protegerem, os bancos estariam se posicionando no mercado futuro, comprando contratos.

Para os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) transacionados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a tendência foi de alta das taxas de longo prazo, com pequenas variações nos vencimentos de curto prazo. A aversão a riscos continuou pressionando os contratos negociados para janeiro de 2010, que subiu 0,10 ponto percentual, a 14,73% ao ano.

Entre os contratos curtos, o vencimento para novembro caiu 0,09 ponto percentual, a 13,65% ao ano. O agravamento da crise também explica as variações modestas nos contratos curtos, pois o mercado não acredita que o BC continue elevando a Selic com a piora das condições econômicas globais, que devem gerar desaceleração da atividade por aqui também.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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