SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram sem tendência única na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). O recuo da inflação no atacado estimulou a baixa nos vencimentos longos, enquanto a expectativa quanto à ata referente a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) segurou a ponta curta próximo da estabilidade.

Ao final da quarta-feira, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 acabou com baixa de 0,06 ponto, a 14,84% ao ano. O vencimento janeiro 2011 caiu 0,10 ponto, a 14,55%, e janeiro 2012 recuou 0,14 ponto, para 14,14%.

Entre os contratos curtos, agosto de 2008 encerrou o dia com perda de 0,01 ponto, a 12,80%. Setembro de 2008 também teve baixa de 0,01 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,07%, e o vencimento de janeiro de 2009, o mais negociado hoje, fechou estável a 13,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 796.265 contratos, equivalentes a R$ 68,84 bilhões (US$ 43,76 bilhões), quase duas vezes mais do que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2009 foi o mais negociado, com 331.285 contratos, equivalentes a R$ 31,21 bilhões (US$ 19,91 bilhões).

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 1,76% no mês, desacelerando ante a marca de 1,98% de junho. O indicador ficou também abaixo da previsão, que oscilava em torno de 1,8%.

Segundo um gestor de renda variável que pediu para não se identificar, mais do que a queda da inflação no atacado, as curvas refletem hoje a visão de que as próximas leituras serão ainda melhores, pois captarão com mais intensidade a recente retração no preço das commodities.

De acordo com o especialista, alguns bancos já projetam IGP-M próximo de 0,7% para agosto, com variação negativa para o componente de preços agrícolas.

Além disso, o gestor aponta que as coletas para os índices de preços ao consumidor (IPCs) também projetam leituras mais baixas. Ele lembra que o IPCA-15 que chegou a marcar 0,90% em junho, tem projeção de 0,63% para agosto. A indicação é de que a inflação já passou pelo seu pior momento, diz.

Quanto à ata do Copom, a expectativa do especialista é de que o Banco Central (BC) apresente a justificativa para a elevação no rimo de ajuste da Selic, que passou de 0,5 ponto, para 0,75 ponto percentual.

De acordo com o ele, a alta mais forte deve ter sido aparada na acentuada piora nas expectativas de inflação entre a reunião de junho e julho. No entanto tal medida não quer dizer que para a reunião de setembro, nova alta de 0,75 ponto já esteja contratada. O mercado está colocando no preço uma probabilidade muito grande de continuação do 0,75 ponto. Não acredito que isso seja verdade, a decisão fica em aberto, afirma.

Na visão dele, a maior firmeza do BC mostrou a discordância da autoridade monetária com a trajetória das expectativas, mas assim que as projeções de inflação ficarem estáveis ou recuarem, o BC pode continuar com o ajuste em ritmo menos intenso. Acredito que o 0,75 possa ter sido uma medida pontual. O ritmo do BC é de 0,5 ponto.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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