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Mercados: Humor externo piora e Bovespa cai 0,72%; dólar sobe 2,77%

SÃO PAULO - O mau humor retornou hoje aos mercados globais e leva os ativos domésticos a uma sensível piora nesta primeira etapa dos negócios. Arrastada pela abertura negativa em Nova York, a bolsa paulista opera em queda e é puxada também pela desvalorização das commodities no mercado internacional.

Valor Online |

No segmento cambial, a moeda americana indica forte valorização, em movimento coordenado pelas apostas de alta da divisa nos contratos com vencimento futuro.

Instantes atrás, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) cedia 0,72%, aos 39.158 pontos, com giro financeiro de R$ 919 milhões. O indicador já chegou a cair 3,4%, para 38.083 pontos na mínima até o momento.

No câmbio local, o dólar avança 2,77%, cotado a R$ 2,182 para a compra e R$ 2,184 para a venda, com nível máximo de R$ 2,200 até agora. O contrato de dólar negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) com vencimento em novembro aponta alta ainda maior, de 3,27%, a R$ 2,191.

Agentes de mercado acreditam que o comportamento dos ativos na abertura é justificado por um conjunto de fatores. Com a valorização das bolsas ontem, muitos agentes aproveitam a oportunidade para realização de lucros de curto prazo. O movimento acaba sendo amparado por dados piores do que o esperado.

É o caso do nível de atividade medido pelo Federal Reserve (Fed) de Chicago em setembro, que caiu 2,57%, ante expectativas de baixa de 1,8%. A retração também se aprofundou em relação a agosto , quando o indicador havia recuado 1,61%. Felipe Casotti, economista do setor de renda variável da Máxima Asset Management, acredita que alguns balanços de empresas americanas também ficaram aquém das expectativas.

Foi o caso da Texas Instruments que anunciou recuo de 27% no lucro do terceiro trimestre. A empresa também informou que a estimativa de lucro para o trimestre final deste ano é de US$ 0,30 a US$ 0,36 por ação, ante previsões do mercado de US$ 0,44 para o período. Ainda entre notícias ruins do setor corporativo, o lucro da DuPont recuou 30%, já que a empresa foi afetada pelo impacto da passagem de furacões no Golfo do México no período.

Assim, depois de um conjunto de dados favoráveis ontem, hoje o mercado inverte o rumo e passa a operar no rastro de dados piores. Essa volatilidade, segundo analistas, continuará dando o tom dos negócios no curto prazo, sobretudo nesta temporada de balanços.

O mau humor externo também influencia a alta do dólar no câmbio local. Os agentes acreditam que a aversão a risco contribuiu para a valorização nesta jornada, mas também não descartam a força de operações de aposta contra o real no mercado futuro, que acaba afetando a trajetória da divisa também no mercado pronto.

Ovídio Soares, operador da corretora Finabank, acredita que 80% da pressão sobre a divisa tem caráter especulativo. "Não acredito que a demanda por moeda seja tão grande", diz, lembrando que o fato de o Banco Central ainda não ter feito leilões hoje, apesar da forte valorização, indica que a autoridade monetária sabe que a alta não é gerada por falta de dólares no mercado.

Ontem o BC conseguiu vender US$ 1,620 bilhão do total de US$ 2 bilhões ofertados no primeiro leilão de reservas com compromisso dos bancos de repasse para linhas de exportação. Logo mais deve realizar um leilão de swap cambial, agendado desde ontem. Mas a venda à vista, que costuma ocorrer em momentos de apreciação da divisa, ainda não foi anunciada.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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