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Mercados: Esperança por novo plano puxou alta de 7,6% na Bovespa ontem

SÃO PAULO - O mês de setembro chegou ao fim e entra para a história como um dos mais turbulentos já enfrentados pelos investidores. O tom positivo do último pregão do mês não conseguiu apagar os estragos causados pelo agravamento da crise internacional de crédito e a falta de uma ação efetiva para restabelecer a confiança dos agentes no sistema financeiro.

Valor Online |

Setembro incluiu uma série de eventos que marcaram a história de Wall Street. Logo no começo do mês, o Tesouro dos Estados Unidos foi obrigado a tomar o controle das financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae em um negócios de US$ 200 bilhões. A desconfiança sobre a liquidez das empresas tinha colocado sob ameaça mais de US$ 5 trilhões em hipotecas e títulos relacionados.

Exatamente uma semana depois, uma lenda do setor financeiro sumiu do mapa. Depois de mais de 150 anos de operação, o banco de investimentos Lehman Brothers entrou em colapso. A queda do quarto maior banco de investimento dos EUA marcou o agravamento da crise e começou a arrastar outras instituições.

Pouco depois, o Merrill Lynch foi comprado pelo Bank of America (BofA) em um negócio desenhado no fim de semana envolvendo US$ 50 bilhões. Para a seguradora AIG, tentaram achar solução dentro do mercado, mas ninguém quis se arriscar. Com isso, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, foi obrigado a intervir, colocando US$ 85 bilhões na empresa em troca do controle temporário.

Nesse ponto, os investidores acordavam pela manhã esperando quem seria o próximo a cair. Morgan Stanley e Goldman Sachs eram as bolas da vez. Os bancos não caíram, mas foram ao Fed e pediram autorização para deixarem de ser banco de investimento. O Fed prontamente acatou e, com isso, acabou a era dos bancos de " segundo andar " , como também são conhecidos os bancos de investimento, que dominavam os ganhos e os bônus de executivos em Wall Street. As instituições viraram bancos comuns, ou seja, passaram a ter depósitos à vista e ficar sujeito à maior regulação e requerimentos de capital.

Em direção do fim do mês, os investidores acompanharam mais dois meganegócios no setor. O JPMorgan Chase & Co. adquiriu os depósitos, ativos e determinadas obrigações das operações bancárias do Washington Mutual. Pouco depois, o Citigroup apareceu e levou ativos dos Wachovia.

Refazendo a contagem, no desenrolar da crise, caíram ou foram comprados o Lehman Brothers, Merrill Lynch, Bear Stearns, Washington Mutual e Wachovia. Isso só para ficar nas grandes instituições dos EUA, pois há também européias que sumiram do mapa assim como uma série de bancos regionais norte-americanos.

Nas duas últimas semanas do mês, os investidores foram do céu ao inferno por algumas vezes. Depois de todos os eventos descritos acima e o conseqüente congelamento do mercado mundial de crédito. O Tesouro dos Estados Unidos e o Fed acenaram com um plano que foi comprado como uma solução de longo prazo para a crise: US$ 700 bilhões para tirar ativos podres de dentro dos bancos e permitir a retomadas das operações de crédito.

Durante uma semana o plano foi discutido no Congresso e a paciência dos investidores testada pela negociação política. O presidente dos EUA, George W. Bush, diversas vezes pediu a rápida aprovação do projeto, assim com o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Fed, Ben Bernanke. Acordos feitos e desfeitos, chegou o dia da votação, 29 de setembro. Resultado do placar 228 votos ? não ? e 205 ? sim ? . A reação foi o pânico de ontem, com perdas históricas no Dow Jones e " circuit breaker " na Bovespa.

No último pregão do mês, o humor já foi outro, com os investidores voltando a apostar na possibilidade de um plano alternativo que venha socorrer os bancos. Como sempre a reação de alta também foi eufórica.

A Bovespa fechou o dia com valorização de 7,63%, aos 49.541 pontos, e giro financeiro de R$ 4,87 bilhões. Em Wall Street, o Dow Jones teve alta de 4,68% e o Nasdaq subiu 4,97%.

A forte alta ajudou a conter as perdas no mês, mas ainda assim o Ibovespa perdeu 11,03%, fazendo desse o pior mês desde abril de 2004. O trimestre também foi francamente negativo com o índice perdendo 23,80%. Com isso, em nove meses, a bolsa tem uma perda de 22,45%.

No câmbio, o dia também foi de correção, com as apostas compradas sendo desfeitas em face à melhora de humor externo. Mesmo assim, o dólar apresentou o maior ganho mensal dos últimos seis anos, 16,45%. No trimestre, a alta é ainda mais impressionante: 19,22%. No ano, o ganho está em 7,15%.

Esse números foram suavizados pela queda de 3,15% que o dólar comercial registrou ontem, ao fechar negociado a R$ 1,902 na compra e R$ 1,904 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda apresentou perda de 3,15%, a R$ 1,904. O volume financeiro somou US$ 676 milhões, quatro vezes menor do que o observado um dia antes. O giro interbancário ficou em US$ 3,8 bilhões.

Os juros futuros retomaram a tendência de queda que era vista desde o fim da semana passada. Alguns agentes acreditam que o restrição global de crédito aliada a queda da inflação pode levar o BC a antecipar o fim do ciclo de aperto monetário e antecipar a retomada dos cortes. A grande incógnita continua sendo o preço do dólar, que tem grande influencia na inflação.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava queda de 0,24 ponto percentual, a 14,47% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,32 ponto, apontando, 14,33%, e Janeiro 2012 projetava 14,17%, com perda de 0,40 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 fechou com baixa de 0,01 ponto, a 13,60%. Novembro 2008 teve ganho de 0,01 ponto, a 13,63%. Dezembro de 2008 fechou estável a 13,86%, e o DI para janeiro de 2009 encerrou apontando 14,01% ao ano, também sem alteração.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 580.495 contratos, equivalentes a R$ 49,13 bilhões (US$ 25,12 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 242.420 contratos, equivalentes a R$ 20,44 bilhões (US$ 10,45 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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