SÃO PAULO - A quarta-feira foi um dia pouco agradável para os mercados americanos, que voltaram a cair forte em meio a dúvidas sobre o setor financeiro e como a as empresas vão absorver a piora de panorama econômico.

Partindo de tal premissa, os investidores retornam do feriado de quarta-feira em São Paulo atrasados quanto a essa correção, o que pode resultar em um dia de ajuste para os ativos tanto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) quanto na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

A expectativa de perdas na Bovespa fica amparada também pelo comportamento dos American Depositary Receipts (ADR, recibo de ação que permite a listagem de companhias estrangeiras em Nova York) de empresas brasileiras, que perderam valor em Nova York.

O índice Dow Jones Brazil Titan 20, que lista as 20 ADRs brasileiras mais negociadas caiu 1,68%, para 35.609 pontos. Os ADRs da Petrobras e Vale, que figuram entre os mais negociados do mundo, perderam 2,58% e 3,85%, respectivamente.

Depois de uma tentativa de alta pela manhã, com o petróleo apresentando comportamento civilizado apesar das tensões políticas com o Irã e da queda nos estoques de petróleo, o Dow Jones encerrou o dia em baixa de 2,08%, aos 11.147 pontos. O setor financeiro puxou as perdas.

Ainda em Wall Street, o Standard & Poor´s 500 perdeu 2,28%, para 1.244 pontos. Com mais essa baixa, o indicador entra no chamado bear market (mercado baixista), tendo perdido 20,3% desde a máxima registrada em outubro - acima do limite de 20% usado como critério para se estabelecer esta tendência. Na bolsa eletrônica Nasdaq, a queda foi de 2,60%, para 2.234 pontos.

No mercado de energia, o contrato de WTI para o mês de agosto subiu US$ 0,01, para US$ 136,05, em Nova York. O vencimento para o mês seguinte fechou cotado a US$ 136,72, também com elevação de apenas US$ 0,01.

Em Londres, o barril do tipo Brent para o próximo mês subiu US$ 0,15, para US$ 136,58. E o vencimento para setembro terminou valendo US$ 137,46, com acréscimo de US$ 0,11.

A Europa teve um dia positivo escapando do negativismo de Wall Street por estar em fuso horário diferente. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 subiu 1,64%, para 5.529 pontos, com os ganhos liderados pelo setor financeiro. Já em Frankfurt, o DAX apresentou alta de 1,30%, para 6.386 pontos, e o francês, CAC-40 valorizou 1,50%, para 4.339 pontos.

Por aqui, só aconteceram poucos negócios com o dólar, que teve formação de taxa na mesa dos bancos. Apesar do dia negativo lá fora, a divisa fechou com baixa de 0,18%, a R$ 1,608 na compra e R$ 1,610 na venda.

Na agenda interna, foi divulgado o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que fechou junho com alta de 1,89%, sobre 1,88% em maio. No primeiro semestre, o indicador avançou 7,14% e, em 12 meses, apresentou elevação de 13,96%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reviu suas estimativas macroeconômicas em face da maior inflação. Para a entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 4,7% em 2008, contra 5% previstos anteriormente. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que era de 4,7%, passou para 6,4%, já encostada no teto da meta estipulada pelo Banco Central, de 6,5%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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