SÃO PAULO - A moeda norte-americana encerrou a quinta-feira em baixa ante o real. A oferta de dólares ficou alinhada com a alta de 0,75 ponto percentual na Selic, que passou a valer 13% ao ano, atraindo mais recursos para arbitragem de taxa.

No entanto, a queda foi limitada pelo dia pessimista nos mercados externos e a acentuada venda de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que sofre os reflexos da queda no preço das commodities.

Depois de cair a R$ 1,574 na mínima, o dólar comercial fechou o dia a R$ 1,5775 na compra e R$ 1,5795 na venda, baixa de 0,28%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) a moeda também apresentou desvalorização de 0,28%, para R$ 1,5795. O volume financeiro somou US$ 543 milhões. O giro interbancário foi bastante elevado, mais de US$ 5,35 bilhões, com um grande banco estrangeiro dominando a cena.

Segundo o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, a moeda norte-americana deveria ter caído ainda mais, mas a forte saída de investidores da bolsa com remessas direto para fora do país conteve a queda da divisa.

De acordo com Medeiros, a alta de 0,75 ponto na Selic vem com o aval do governo, que sinaliza que vai fazer o que for necessário para conter um repique inflacionário.

No câmbio, a alta acima do que previa a maior parte dos analistas abre espaço ainda maior para a arbitragem de taxa. Medeiros lembra que, com juro real negativo nos Estados Unidos, trazer dólar para cá é bastante atrativo.

De acordo com o especialista, os agentes aguardam a ata da reunião para vislumbrar se o ajuste segue em 0,75 ponto por reunião ou se haverá uma redução no ritmo. Já tem gente falando em Selic a 15% no final do ano.

Para Medeiros, a tendência da moeda segue de baixa, pois a entrada de recursos ainda supera as remessas. Ainda de acordo com o diretor, existe uma grande resistência no patamar de R$ 1,570, que, se perdido, pode levar a taxa ainda mais para baixo.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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