SÃO PAULO - A demora na aprovação do pacote de resgate ao sistema financeiro norte-americano elevou a instabilidade e a aversão ao risco em todos os mercados, influindo também na formação de preço do dólar. Ao final do pregão, a moeda era negociada a R$ 1,829 na compra e R$ 1,831 na venda, alta de 2,17%. Na máxima o dólar testou R$ 1,853, ou ganho de 3,4%.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda fechou com valorização de 2,38%, valendo R$ 1,8352. O volume financeiro somou US$ 261 milhões.

Segundo o gerente de operações da B & T Associados Corretora de Câmbio, Marcos Trabbold, o mercado desconfia se o pacote de US$ 700 bilhões para salvar o sistema financeiro norte-americano será suficiente para evitar uma recessão na economia norte-americana.

Na dúvida, todos os agentes com posição em moeda estrangeira compram dólar à vista ou fazem posição no mercado futuro para se proteger do cenário externo, o que explicaria a ala de hoje.

Na avaliação do gerente da corretora, a instabilidade continuará grande e a taxa de câmbio não deve se afastar muito da faixa de R$ 1,800. "Como a pressão está invertida, o dólar não deve voltar a ceder", diz.

Tirando espasmos de sentimento positivo que podem trazer dinheiro para o mercado brasileiro via mercado de ações, Trabbold aponta que a tendência não muda. O dólar deve se apreciar ante o real. E um ponto que reforça essa expectativa, segundo ele, é a piora nas contas externas do país.

Hoje, o Banco Central apontou que o saldo em conta corrente fechou agosto negativo em US$ 1,1 bilhão, e já cumula déficit de US$ 21,9 bilhões em 12 meses. Em face dos resultados, o BC revisou a projeção para o déficit em todo o ano de 2008 de US$ 21 bilhões para US$ 28,8 bilhões.

Ainda de acordo com o especialista, além das saídas pela conta financeira, o país pode ter seu desempenho comercial ainda mais prejudicado pela falta de linhas de financiamento ao comércio exterior.

Segundo o gerente, os bancos internacionais que financiam as vendas externas do país estão restringindo cada fez mais a oferta de linhas. E isso, cedo ou tarde, vai acabar atingindo as exportações e as importações. "Essa escassez de linhas preocupa", afirma.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.