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SÃO PAULO - Apesar do ambiente favorável, com valorização nas bolsas aqui e lá fora, a moeda norte-americana não conseguiu romper o piso de R$ 1,570 durante a maior parte do dia. A resistência durou até a intervenção do Banco Central, que ao fazer o leilão de compra no mercado à vista estimulou a oferta de moeda, puxando a divisa para mínimas não observadas desde o começo de 1999.

Ao final da terça-feira, o dólar comercial valia R$ 1,567 na compra e R$ 1,5687 na venda, baixa de 0,33%. A cotação é a menor desde o R$ 1,558 registrado em 19 de janeiro de 1999.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou desvalorização de 0,41%, para R$ 1,5685. O volume financeiro somou US$ 393 milhões, cerca de três vezes maior do que o observado na segunda-feira.

Para o operador da Dascam Corretora, Luiz Fernando Moreira, alguma entrada de recursos no final do pregão fez a taxa perder o nível de R$ 1,570. O leilão de compra do BC estimulou a colocação de dólares, mas a autoridade monetária não enxugou toda a entrada.

No entanto, o operador destaca que o patamar de R$ 1,570 continua sendo um ponto de grande resistência. Vai ter que testar mais duas ou três vezes para firmar um novo patamar de baixa, avalia.

Segundo Moreira, a tendência para a divisa norte-americana segue de baixa, mas a possibilidade de elevação na taxa de juros norte-americana, deve desestimular um pouco essa entrada de dólares no país.

Semana que vem o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, apresenta sua decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos e alguns agentes acreditam em alta de 0,25 ponto percentual na taxa, atualmente fixada em 2% ao ano.

Para a diretora da AGK Corretora, Miriam Tavares, os agentes também aguardam a ata referente a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para ver qual poderá ser o comportamento da taxa de juros brasileira daqui para frente.

Semana passada, o Banco Central acelerou o ritmo de ajuste da Selic de 0,5 ponto, para 0,75 ponto percentual, fixando a taxa básica em 13% ao ano.

A diretora também lembra que por ser final do mês, o câmbio também reflete as apostas para a formação da Ptax (média ponderada da cotação apurada pelo Banco Central e utilizada para a liquidação dos contratos futuros na BM & F).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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