SÃO PAULO - O dólar comercial corrigiu ligeiramente o preço no ajuste final do pregão e fechou cotado a R$ 2,1180 para a compra e R$ 2,12 para a venda, com baixa de 1,98% em relação ao pregão anterior e redução de 8,38% no acumulado da semana. Agentes de mercado atribuem o movimento a um conjunto de fatores. A atuação do BC ao longo da semana, com leilões à vista, de linha e de swap cambial, aliada às flexibilizações de compulsório podem ter realmente elevado a liquidez e movido o preço da moeda americana para baixo.

Alguns agentes mencionam ainda que as operações do BC funcionam também como teto, evitando oscilações muito fortes ou exageradas como vinha acontecendo na semana passada.

Durante boa parte do dia as bolsas de Nova York também registraram valorização, o que colaborou para dar à moeda mais conforto para um ajuste de baixa. Vale notar também que hoje o BC anunciou o primeiro leilão de reservas, no valor de US$ 2 bilhões, em que os dealers ficam obrigados a repassar o montante às empresas por meio de linhas de exportação.

Segundo Wladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Credit Agricole, a decisão do BC tende a dar certo, assim como as demais intervenções que estão sendo feitas ao longo do tempo pela autoridade monetária.

"O risco para os bancos não é tão grande e eles podem ter algum ganho. Além disso acho que eles gostariam de voltar a atender os clientes", avalia. Nesse sentido, é possível que o mercado hoje tenha se antecipado aos afeitos da operação de segunda-feira.

A oferta deve desafogar empresas que estão sem linhas para exportar e, ao mesmo tempo, deixar mais liberado o fluxo por moeda vinda de empresas que precisam zerar posições em dólar feitas em operações com derivativos, como, suspeita-se, haja ainda no mercado. Assim, a porta para zerar posições fica "menos estreita", avalia o economista.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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