SÃO PAULO - Pela segunda vez na semana, o pânico tomou conta dos mercados e no câmbio não foi diferente. Com a exacerbada aversão ao risco, os investidores correram para o dólar, tanto no mercado futuro quanto no à vista, e levaram o preço da moeda para cima de R$ 2,0, algo inimaginável pouco tempo atrás.

Em acentuada alta desde o começo da sessão, o dólar comercial encerrou o dia com ganho de 5,09%, valendo R$ 2,021 na compra e R$ 2,023 na venda. O preço é o maior desde 21 de agosto do ano passado, quando a moeda fechou a R$ 2,037.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 5,48%, para R$ 2,03. O volume financeiro somou US$ 359,75 milhões.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, a disparada de preço, hoje, foi basicamente especulativa já que o mercado teve baixa quantidade de negócios. "É o pessoal se digladiando no mercado futuro", explica.

De acordo com o especialista, tantos importadores quanto exportadores ficaram de fora esperando uma melhor definição do cenário externo. "O preço dos ativos perdeu o referencial em meio a essa crise", afirma.

Para Galhardo, os agentes começam a duvidar da eficácia do plano de resgate aos bancos norte-americanos por causa da demora na ajuda. "Por causa da demora no resgate, o problema não está mais só no título podre em carteira. Agora os bancos estão com a liquidez comprometida e também sofrem com a corrida de saques", avalia.

Dado esse cenário, o especialista aponta que dificilmente o dólar voltará para a casa dos R$ 1,80 a R$ 1,85 como era esperado, pois os agentes vão continuar aproveitando a crise para apostar contra a moeda brasileira.

Galhardo também afirma que falta uma postura mais ativa do Banco Central, que deixa a desejar não atuando em um dia como esse. "Ele tem que entrar para regular essa taxa", afirma.

Para o gerente da corretora, o BC poderia ofertar mais linhas de crédito para os exportadores, que não encontram mais recursos disponíveis junto aos bancos. Além de resolver o problema de financiamento das exportações, o BC também pega os especuladores, forçando um ajuste de preço.

Desde o agravamento da crise, há três semanas, a autoridade monetária já fez duas dessas operações, ofertando, no total, US$ 1 bilhão com dois prazos diferentes. Tais operações são conhecidas como leilão com compromisso de recompra. O BC oferta dólares no mercado à vista com compromisso de recompra no futuro.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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