SÃO PAULO - O dia sinalizava um pouco mais de tranqüilidade, mas a recuperação observada ao longo da jornada não se sustentou. Na reta final dos negócios em Wall Street, a irracionalidade dos investidores estrangeiros dragou toda a valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

No segmento cambial, o Banco Central (BC) voltou ofertar dólares.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou com recuo de 3,92%, a 37.080 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,539 bilhões, na média dos últimos dias.

O dólar registrou baixa de 3,59%, cotado a R$ 2,196 na compra e R$ 2,198 na venda. A divisa passou o dia todo em baixa, tendo alcançado a mínima de R$ 2,1460 ao longo dos negócios. O giro interbancário chegou a US$ 3,828 bilhões, menor do que o de um dia antes.

Apesar de medidas importantes para estancar a crise, como o corte global de juros e a possibilidade de o Tesouro americano comprar participação em bancos dos EUA, os investidores ainda temem novas quebras de instituições financeiras e ponderam as perdas reais que essa crise causará para as empresas e a economia.

No noticiário americano, consta a chance de rebaixamento da nota de crédito da GM, cujas ações caíram mais de 30%. Rumores ainda envolvendo dificuldades para concluir um aporte do Mitsubishi no Morgan Stanley, no valor de US$ 9 bilhões, também contribuíram para o aumento do pessimismo.

A cada fim de pregão, os agentes temem que, da noite para o dia, novas notícias ruins possam surgir, o que amplia a cautela e impede a normalização do mercado.

Flávio Serrano, economista-sênior do BES, acredita que os investidores podem estar operando com ganhos de curtíssimo prazo realizados no próprio dia, pois não estão confiantes o suficiente para encerrarem o pregão com posições compradas em bolsa. Isso justificaria a valorização verificada no curso da sessão, inclusive com certa independência de Nova York, onde os índices operavam em queda próxima de 1% na segunda etapa dos negócios.

No segmento cambial, agentes de mercado atribuem a desvalorização do dólar a uma mudança de percepção do mercado. Na quarta-feira o BC surpreendeu os agentes ao retomar a venda de moeda à vista. Depois de mais de cinco anos sem fazer esse tipo de operação, a autoridade monetária fez três ofertas e manteve um leilão de swap cambial à tarde.

O pregão de quinta-feira já começou com um leilão de swap agendado e outra atuação com oferta no mercado à vista. Isso não deu espaço para novas altas e o dólar passou o dia oscilando entre baixas de 5% a 3%.

Essa queda contribuiu para a correção dos Depósitos Interbancários (DIs), que cederam na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Os agentes levaram em conta a descompressão do dólar como variável inflacionária, o que equivale a uma política monetária menos apertada. O humor mais leve no mercado externo até o fechamento das taxas também ajudou para o recuo das variações de contratos mais longos.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava baixa de 0,16 ponto percentual, a 14,75% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou a 15,12%, com recuo de 0,09 ponto percentual.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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