SÃO PAULO - Depois de dois dias de acentuada queda, os contratos de juros futuros voltam a acumular prêmios na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O movimento das curvas passam a acompanhar a instabilidade externa e a alta no preço do dólar, que vale mais de R$ 1,98.

A aversão ao risco fica evidente com a valorização da moeda norte-americana ante outras divisas e a corrida para os títulos da dívida dos EUA. Outro sinal claro da desconfiança dos agentes é a alta na Libor, referência mundial de juros, que sobe pelo quarto dia consecutivo.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 avançava 0,09 ponto percentual, a 14,46%. Janeiro 2011 subia 0,15 ponto, a 14,28%. E janeiro 2012 apontava 14,14%, valorização de 0,15 ponto.

Na ponta curta, novembro de 2008 ganhava 0,01 ponto, a 13,64%. Dezembro de 2008 marcava 13,85%, também acréscimo de 0,01 ponto. E o DI para janeiro de 2009 era negociado a 13,99%, elevação de 0,01 ponto.

O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, Rodrigo Nassar, comentou que, depois de seguir descolado da instabilidade, os DIs voltam a precificar a cena externa e também passam por um ajuste técnico, seguindo a baixa acentuada das últimas sessões.

O especialista observa que estão todos reticentes com relação ao cenário mundial e espera-se a votação do plano de resgate ao setor financeiro pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Ontem, o projeto foi aprovado pelos senadores e amanhã deve ser apreciado pelos integrantes da Câmara americana, que na segunda-feira derrubaram o pacote.

Nassar acredita que, desta vez, o plano deve ser aprovado, pois as alterações feitas na proposta original agradam mais os contribuintes. Os senadores incluíram medidas como isenção de impostos e aumento da garantia de depósitos de US$ 100 mil para US$ 250 mil.

No cenário interno, o gerente acredita que já que a inflação está mais controlada, o foco do Banco Central pode começar a mudar para a questão do crescimento. Com isso, o ciclo de aperto monetário pode acabar antes do esperado. " O mercado já começou a precificar a não elevação dos juros, mas ainda é cedo para fechar uma aposta. "
Nassar nota que o ponto de preocupação é o dólar, que mudou de lado e passou a ser o "grande vilão" para a inflação. Apesar do fluxo positivo, ele afirma que a tendência para a moeda não é baixista, os recursos externos que sobram via excedente comercial não têm capacidade para pressionar o preço do dólar para baixo.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). As propostas serão tomadas das 12h às 13h, com operação especial das 15h às 16h.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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