SÃO PAULO - Mais do que a decisão sobre a taxa de juros, o placar não unânime na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um dia de ajuste nos contratos de juros futuros.

Para melhor explicar o movimento do dia, a curva tem que ser divida em três segmentos. Os contratos curtos, até janeiro de 2009, reagiram à elevação da Selic de 13%, para 13,75% ao ano e tiveram alta. Os médios, entre janeiro 2009 e janeiro de 2010 apontaram para baixo, pois a placar de 5 a 3 pela alta de 0,75 ponto é visto como uma indicação mais clara de que o próximo ajuste será de 0,5 ponto percentual. E por fim, os vencimentos mais longos, janeiro de 2011 em diante, subiram refletindo a cena externa negativa e o dólar acima de R$ 1,80.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava baixa de 0,07 ponto percentual, para 14,64% ao ano. Em direção contrária, o vencimento janeiro 2011 subiu 0,03 pontos, a 14,38%. Janeiro 2012 se valorizou 0,10 ponto, para 14,14%.

Entre os curtos, o vencimento para outubro de 2008 avançou 0,08 ponto, para a 13,60%. Novembro de 2008 aumentou 0,06 ponto, para 13,63%. Dezembro de 2008 subiu 0,04 ponto para 13,82%, e o DI para janeiro de 2009 acumulou 0,05 ponto, fechando a 14,02% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 924.650 contratos, equivalentes a R$ 77,08 bilhões (US$ 43,16 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 402.600 contratos, equivalentes a R$ 33,67 bilhões (US$ 18,85 bilhões).

Segundo o vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, a falta de consenso quanto à alta de 0,75 ponto percentual na Selic foi encarada como um sinal de que o atual ciclo de aperto monetário caminha para o fim.

A dúvida agora, segundo o especialista, é quanto ao tamanho do ciclo, ou seja, se serão mais duas elevações de 0,5 ponto e se haverá necessidade de um novo ajuste no começo de 2009.

Segundo o especialista, está consolidada a idéia de que a inflação está sob controle e que o índice vai convergir para dentro da meta. Tanto em 2008 quanto em 2009, o centro da meta de inflação é de 4,5% com banda de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Além dos preços, outro fator a trazer certa tranqüilidade para o cenário de juros é o comportamento da atividade econômica, que começa a desacelerar, reduzindo a preocupação com a possibilidade de uma inflação de demanda.

Ainda de acordo com Folchini, as curvas futuras também refletem a incerteza externa, onde os problemas envolvendo o setor financeiro norte-americano continuam assustando os investidores.

Além disso, a alta no preço do dólar também tem efeito adverso sobre os vencimentos futuros. Mas não acredito que tenha espaço para o dólar subir mais. A cotação deve se estabilizar em um patamar mais baixo, afirma.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional promoveu leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). O resultado prévio aponta que foram vendidas 1,05 milhão de LTNs de um total de 1,15 milhão, com giro financeiro de R$ 905,2 milhões. Todas as 450 mil NTN-Fs colocadas foram aceitas, movimentando R$ 398,61 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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