SÃO PAULO - Acompanhando a menor aversão ao risco que dá o tom dos mercados desde a sexta-feira, e o recuo no preço do dólar, os contratos de juros futuros registraram mais um pregão de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). As perdas não foram mais acentuadas em função da disparada no preço do petróleo, que chegou a dar um salto de US$ 25, ou cerca de 24%, nos instantes finais do pregão em Nova York, antes de perder um pouco de força.

Ao final do pregão BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com baixa de 0,03 ponto percentual, a 14,80% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,02 ponto, apontando, 14,71%, e Janeiro 2012 projetava 14,50%, baixa de 0,01 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para R$ 13,60%. Novembro 2008 fechou com baixa de 0,01 ponto, a 13,62%. Dezembro de 2008 encerrou estável a 13,83%, e o DI para janeiro de 2009 ganhou 0,01 ponto, fechando a 14,03% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 283.705 contratos, equivalentes a R$ 23,26 bilhões (US$ 12,64 bilhões), queda de 55% sobre o registrado na sexta-feira. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 125.680 contratos, equivalentes a R$ 10,54 bilhões (US$ 5,73 bilhões).

Para um gestor de renda fixa que prefere não se identificar, a criação da agência nos Estados Unidos para tirar os créditos podres de dentro dos bancos foi uma iniciativa importante, mas o mercado segue pautado por uma grande incerteza, pois não é possível estimar qual o resultado dessa crise. "Tem um movimento se desenhando em todos os mercados, mas ninguém sabe qual será o resultado desse ajuste do sistema financeiro nas bolsas, moedas e commodities", afirma.

Além da volatilidade e dos reflexos da crise, o especialista aponta que o movimento das curvas, no curto prazo, está atrelado aos sinais de desaquecimento da economia interna.

Para o gestor, a atividade já começa a refletir o impacto do aperto monetário que vem sendo implementado desde abril e, além disso, deve sentir os reflexos da crise externa.

Dados apontando crescimento econômico mais ameno reforçam a expectativa de que o Banco Central pode reduzir o ritmo de ajuste na taxa Selic, para 0,5 ponto percentual, já na reunião de outubro. Agora em setembro, a taxa foi reajustada em 0,75 ponto para 13,75% ao ano.

O gestor também chama atenção para os dados e coletas inflação, que continuam apontando para um cenário de preços mais amenos tanto no final de 2008 quanto no decorrer de 2009.

Essa expectativa já é captada pelas projeções do Boletim Focus, do Banco Central. De acordo com o relatório apresentado hoje, a mediana das expectativas aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,97% no encerramento de 2009, recuando de 4,99% na semana anterior. Para 2008, o IPCA está estimado em 6,23% contra os 6,26% da semana anterior.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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