SÃO PAULO - Depois de um ensaio de um recuo no começo do pregão, os contratos de juros futuros voltam a acumular prêmios na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). As taxas acompanham o ambiente externo ainda incerto e a conseqüente valorização do dólar, mas já operam longe das máximas da manhã.

O mercado também recebeu hoje uma indicação clara do efeito da restrição global de crédito por aqui. O Banco Central flexibilizou as regras para os depósitos compulsórios (parcela de recurso que os bancos não podem emprestar) visando liberar mais recursos no mercado.

Segundo o gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, Rodrigo Nassar, a notícia é bastante relevante e pode ser feita uma leitura cíclica da medida. Com mais dinheiro circulando, aumenta o risco de inflação e, conseqüentemente, o Banco Central tem de aumentar a taxa de juro.

Foram anunciadas medidas distintas, uma sobre depósitos a prazo, poupança e à vista, que deve resultar na liberação de R$ 5,2 bilhões já na semana que vem e outra sobre operação de leasing, que deve resultar em uma sobra de R$ 8 bilhões no caixa dos bancos.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 avançava 0,01 ponto percentual, a 14,85%, depois de bater 14,98% na máxima. Janeiro 2011 tinha alta de 0,02 ponto, a 14,84%. E janeiro 2012 apontava 14,80%, valorização de 0,08 ponto.

Na ponta curta, outubro de 2008 perdia 0,03 ponto, para 13,62%. Dezembro de 2008 subia 0,01 ponto, para 13,88%. E o DI para janeiro de 2009 era negociado a 14,08%, sem alteração.

De maneira geral, explica Nassar, o mercado está perdido depois da forte instabilidade da semana passada. Além disso, os agentes estão na expectativa se o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, conseguem convencer o Congresso americano quanto à aprovação do pacote de US$ 700 bilhões para sanear o setor financeiro.

De volta ao campo doméstico, os agentes receberam pela manhã o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O indicador, uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,26% em setembro, abaixo do 0,35% observado um mês antes. Segundo Nassar, o resultado ficou dentro do esperado.

O comportamento do câmbio também influi sobre as curvas, conforte o dólar firma posição acima de R$ 1,80. Nassar observou que o que vinha garantindo a desvalorização da moeda estrangeira era o forte fluxo de recursos em direção ao país. No entanto, com a mudança de cena externa, esse dinheiro foi cobrir prejuízos do exterior e não deve retornar tão cedo para os juros e para a bolsa brasileira.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza a segunda etapa do leilão de venda Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que acontece por meio da transferência de títulos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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