SÃO PAULO - Depois de dois dias de aparente tranqüilidade, os contratos de juros futuros voltaram a acumular prêmios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Segundo o economista do Banco Schahin Sílvio Campos Neto, a indefinição quanto à aprovação do plano de resgate ao sistema financeiro norte-americano trouxe o nervosismo de volta ao mercado, levando os investidores a desmanchar suas posições. Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava alta de 0,07 ponto percentual, a 14,87% ao ano, depois de bater 14,98% na máxima. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,14 ponto, apontando, 14,85%, e Janeiro 2012 projetava 14,72%, aumento de 0,22 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 subiu 0,05 ponto, para R$ 13,65%. Novembro 2008 fechou com alta de 0,05 ponto, a 13,67%. Dezembro de 2008 encerrou com ganho de 0,04 ponto, a 13,87%, e o DI para janeiro de 2009 acumulou 0,05 ponto, fechando a 14,08% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 355.590 contratos, equivalentes a R$ 29,65 bilhões (US$ 16,48 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 199.695 contratos, equivalentes a R$ 16,73 bilhões (US$ 9,30 bilhões).

De acordo com o economista, existe receio com a demora na aprovação do plano que prevê US$ 700 bilhões para o saneamento do sistema financeiro norte-americano via retirada de ativos ilíquidos do balanço dos bancos.

Ainda de acordo com Neto, o teor das declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Ben Bernanke, e do secretário do Tesouro, Henry Paulson, também trouxe apreensão ao mercado.

As duas autoridades pediram urgência na aprovação do projeto e alertaram sobre os riscos à economia se a proposta não for aprovada. Bernake foi mais enfático e falou em risco de recessão caso os congressistas não fechem um acordo em torno da proposta.

Esse nervosismo externo também se refletiu na formação de preço do dólar, que por sua vez também impactou na formação da curva futura. No meio da tarde a divisa disparou mais de 3,4%, testando R$ 1,853 na venda, antes de recuar para o patamar de R$ 1,83.

"Essa alta nos DIs é muito mais por fatores externos do que pelos fundamentos internos, que seguem tranqüilos", resume Neto, lembrando a trajetória benigna da inflação nos últimos meses.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). Pelo resultado prévio, foram colocadas todas as 300 mil notas ofertas movimentando R$ 482 milhões. Amanhã acontecerá a segunda etapa, que tem liquidação por meio da transferência de títulos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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