SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram a sexta-feira sem tendência definida. Os contratos recuperaram o prêmio perdido pela manhã, seguindo a reação incerta dos agentes à aprovação do pacote de resgate do setor financeiro norte-americano.

O evento mais esperado das últimas semanas acabou saindo conforme o esperado. Os congressistas aprovaram o plano, abrindo caminho para o que o Tesouro comece a sanear o balanço dos bancos. No entanto, a reação do mercado foi de mais instabilidade. As bolsas, que subiam com força, mudaram de direção e o dólar voltou a firmar alta ante o real.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava baixa de 0,05 ponto percentual, a 14,49% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou estável a 14,44%, depois de cair a 14,23% na mínima. E Janeiro 2012 projetava 14,39%, ganho de 0,02 ponto.

Entre os curtos, os vencimentos para novembro e dezembro de 2008 fecharam estáveis a 13,63% e 13,85%, respectivamente. E o DI para janeiro de 2009 também encerrou sem alteração, apontando 14%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 718.135 contratos, equivalentes a R$ 61,37 bilhões (US$ 30,56 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 286.970 contratos, equivalente a R$ 24,26 bilhões (US$ 12,08 bilhões).

Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a reação inicial dos investidores à aprovação do plano pode ser explicada pela máxima " compra no boato e vende no fato " . Segundo ele, a notícia é bastante positiva, mas os agentes estão receosos de carregar suas posições durante o final de semana.

" Era o pacote ou uma ruptura financeira muito grande. A aprovação é positiva, mas o cenário ainda é de volatilidade e insegurança " , resume o especialista.

Voltando o foco para o mercado de juros, Petrassi afirma que as curvas futuras seguem uma dinâmica diferente, pois a crise está levando a um estrangulamento do crédito. " A crise está fazendo o trabalho do Banco Central " , avalia.

O gestor aponta que a falta de financiamento vai atingir a demanda interna e isso pode levar o BC a não subir mais os juros. Partindo dessa premissa, o gestor acredita que o BC elevará a taxa Selic em 0,25 ponto na reunião de outubro e encerrará o ciclo de aperto monetário iniciado em abril.

O ponto de incerteza é o dólar. Segundo Petrassi, o preço está artificialmente elevado e deve recuar até o patamar de R$ 1,80.

Ainda de acordo com Petrassi, um sinal da preocupação com a restrição de crédito foi a nova alteração no compulsório (parcela de recursos que não pode ser emprestada) anunciada pela autoridade monetária.

Ontem à noite, o BC anunciou que os bancos que comprarem a carteira de crédito de instituições de pequeno e médio porte terão desconto no compulsório nos depósitos a prazo.

Com a medida, o BC espera colocar até R$ 23,5 bilhões em circulação e melhorar a distribuição de recursos, pois sobra dinheiro para os grandes bancos e falta para os pequenos e médios. Ainda de acordo com Petrassi, novas alterações no compulsório devem ser feitas.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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