SÃO PAULO - O ambiente global de aversão ao risco também influenciou no mercado de juros futuros. Os vencimentos longos tiveram a maior valorização diária em cerca de dois meses em meio à disparada no preço do preço do dólar e crescentes incertezas sobre o ritmo de crescimento da economia mundial.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava alta de 0,18 ponto percentual, para 14,82% ao ano. O vencimento janeiro 2011 subiu 0,29 pontos, a 14,55%. Janeiro 2012 teve valorização de 0,34 ponto, para 14,29%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 avançou 0,04 ponto, para a 13,38%. Novembro de 2008 encerrou a 13,52%, com ganho de 0,05 ponto. Dezembro de 2008 subiu 0,04 ponto, para 13,72%, e o DI para janeiro de 2009 também acumulou 0,04 ponto, fechando a 13,92% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 733.625 contratos, equivalentes a R$ 59,89 bilhões (US$ 35,80 bilhões), montante 27% maior do que o observado ontem e o maior já registrado no último mês. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 317.045 contratos, equivalentes a R$ 26,42 bilhões (US$ 15,79 bilhões).

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, os contratos de juros futuros seguiram de perto a valorização no preço do dólar, que disparou mais de 2,5% retomando o patamar de R$ 1,72.

No entanto, o especialista enfatiza que as movimentações hoje estão inseridas dentro de um ambiente mundial de aversão ao risco, com os investidores sem saber para onde correr em meio a sinais de fraco crescimento nos EUA, Europa e Ásia.

Em dias como o de hoje, diz Serrano, movimentos técnicos também ajudam a aumentar a instabilidade. Há uma reação em cadeia dos agentes e sistemas de negociação que desmancham automaticamente suas posições quando o preço dos ativos atinge determinado nível.

Olhando os fundamentos para o mercado de juros, Serrano afirma que os vencimentos não teriam motivo para subir. A inflação no ambiente interno segue recuando, e tal dinâmica é garantida pela baixa no preço das commodities.

Além disso, a atividade doméstica começa a dar sinais de arrefecimento, o que ajuda a diminuir a preocupação com uma inflação de demanda.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza hoje leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT). O resultado prévio aponta que todas as 300 mil LFT ofertadas foram compradas, movimentando R$ 1,072 bilhão. O leilão de LTN também teve boa aceitação, com 1,1 milhão de notas tomadas, de um total de 1,3 milhão ofertadas. A operação movimentou R$ 1,0 bilhão.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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