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Mercados: DIs refletem menor aversão a risco e tem forte baixa

SÃO PAULO - Depois de dois dias de movimento de alta acentuada, os contratos de juros futuro desabaram na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). As curvas se alinham à mudança global na percepção global de risco, depois que o governo dos Estados Unidos anunciou um plano para retirar os ativos sem liquidez da mão das instituições financeiras, medida que pode restabelecer o funcionamento dos mercados de crédito.

Valor Online |

A queda nos vencimentos é proporcional, também, ao ajuste de baixa no preço do dólar, que desabou mais de 5% ante o real, voltando para o patamar de R$ 1,83, e à valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que sobe mais de 8%.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com baixa de 0,47 ponto percentual, a 14,83% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,60 ponto, apontando, 14,73%, e Janeiro 2012 projetava 14,51%, baixa de 0,81 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 caiu 0,02 ponto, para R$ 13,59%. Novembro 2008 fechou estável a 13,63%. Dezembro de 2008 caiu 0,03 ponto para 13,83%, e o DI para janeiro de 2009 perdeu 0,03 ponto, fechando a 14,02% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 640.665 contratos, equivalentes a R$ 52,74 bilhões (US$ 27,53 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 327.855 contratos, equivalentes a R$ 27,45 bilhões (US$ 14,33 bilhões).

Segundo o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, o movimento de mercado, hoje, deve ser visto como uma correção no exagero dos últimos dois dias, quando o desmanche de posições provocou uma distorção enorme das curvas. "O que aconteceu na quarta e quinta-feira foi uma zeragem enorme de posição. E agora, o mercado devolve tudo", comenta.

Avaliando o pacote de ajuda que está em gestação nos Estados Unidos, Goulart afirma que, com essas novas medidas, o mercado volta para onde estava duas semanas atrás, antes da seqüência de eventos, como resgate Fannie Mae e Freddie Mac, falência do Lehman Brothers, venda do Merrill Lynch e disparada na Libor, que culminou no pânico dessa semana.

Mas o fato, segundo o analista, é que a realidade econômica dos Estados Unidos ainda é ruim. "O pacote serve para estabilizar os ânimos e diminuir a preocupação quanto a novas quebras e com uma crise sistêmica", ressalta.

Para o especialista, o cenário econômico mundial para o ano que vem não é dos melhores e a economia brasileira não vai escapar disso. Para Goulart, o ritmo de alta do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderá recuar de 5% em 2008, para cerca de 3,5% no ano vem. "Mesmo acentuada, essa queda não interrompe o ciclo de crescimento e investimento da economia brasileira", avalia.

De volta ao mercado de juros, Goulart afirma que, finda essa correção, os fundamentos voltarão a mandar nas curvas e os agentes passarão a reavaliar com mais calma o comportamento dos indicadores de inflação e atividade e a formular suas apostas sobre o rumo da política monetária.

Na avaliação do especialista, a falta de consenso do Comitê de Política Monetária (Copom) quanto à elevação da Selic não é garantia de que o ritmo de ajuste será reduzido de 0,75 ponto percentual para 0,5 ponto percentual na reunião de outubro.

O gestor aponta dois fatores que podem levar o BC a reavaliar sua postura. O primeiro deles é a consolidação de uma forte desaceleração global. O outro ponto é uma consideração temporal, ou seja, tendo em vista o novo cenário que se configura o ajuste já realizado na Selic terá o efeito desejado sobre a demanda e inflação.

Goulart também aguarda a divulgação no relatório de inflação, onde o Banco Central poder trazer importantes considerações sobre o comportamento da taxa de câmbio e seu impacto na inflação. Nunca é demais lembrar que a taxa saiu de R$ 1,55, para mais de R$ 1,80 em cerca de um mês.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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