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SÃO PAULO - Inflação abaixo do esperado e uma trégua no preço do dólar estimularam uma correção nos contratos de juros futuros longos, que encerraram a sexta-feira apontando para baixo na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F).

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava queda de 0,09 ponto percentual, para 14,73% ao ano. O vencimento janeiro 2011 caiu 0,15 pontos, a 14,40%, e janeiro 2012 se desvalorizou 0,18 ponto, para 14,11%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 avançou 0,01 ponto, para a 13,39%. Novembro de 2008 encerrou estável a 13,52%. Dezembro de 2008 subiu 0,01 ponto para 13,73%, e o DI para janeiro de 2009 acumulou 0,04 ponto, fechando a 13,96% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.204.900 contratos, equivalentes a R$ 104,29 bilhões (US$ 61,31 bilhões). Tal montante é o maior já registrado desde 24 de julho. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 461.105 contratos, equivalentes a R$ 38,39 bilhões (US$ 22,57 bilhões).

Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, as curvas oscilaram entre a instabilidade externa e os dados positivos no âmbito doméstico.

O aumento do desemprego nos Estados Unidos elevou a aversão ao risco e puxou uma alta das curvas no começo do dia. Mas ainda pela manhã os investidores receberam o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,28% em agosto, recuando de 0,53% em julho.

Ainda de acordo com Petrassi, as curvas também acompanharam o movimento da taxa de câmbio. Depois de bater mais de R$ 1,750 na venda, o dólar comercial perdeu o ímpeto de alta e registrou a primeira queda em sete sessões, fechando a sexta-feira na faixa dos R$ 1,72.

Na avaliação do gestor, a volatilidade dos últimos dias e os indicadores econômicos recentes não mudaram a opinião dos agentes com relação à próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na semana que vem.

Para Petrassi, o cenário de referência continua sendo uma nova alta de 0,75 ponto percentual agora em setembro, e mais duas elevações de 0,5 ponto em outubro e dezembro.

Voltando o foco para o câmbio, o gestor afirma que essa alta recente do dólar não deve impactar a inflação. Segundo ele, a queda de R$ 1,70 para R$ 1,50 na taxa de câmbio não beneficiou a inflação. Então o retorno da taxa para os patamares anteriores também não deve prejudicar os índices de preço.

(Eduardo Campos | Valor Online)