SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam sem tendência definida, com os agentes reagindo a uma rodada de indicadores de inflação ao mesmo tempo em que acompanham a alta no preço das commodities.

Há pouco, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 operava estável a 14,60%. Janeiro 2011 registrava queda de 0,04 ponto, para 14,23%. E janeiro 2012 apontava 13,91%, desvalorização de 0,05 ponto.

Na ponta curta, outubro de 2008 subia 0,01 ponto, para 13,19%. E janeiro de 2009 era negociado a 13,790%, sem alteração.

O dia começou com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, que subiu 0,34% na segunda prévia de agosto, resultado dentro do esperado. Pouco depois, os investidores receberam a segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que apontou deflação de 0,12%, contra inflação de 1,79% registrada um mês antes.

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, a dinâmica das curvas de juros se mantém a mesma desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os longos têm espaço para perder prêmio enquanto os curtos ficam mais pressionados, dada a idéia de que o Banco Central será mais incisivo na condução da política monetária.

Enquanto não saem indicadores com peso suficiente para mudar essa percepção, os juros futuros oscilam pouco, pois os agentes não fazem novas apostas ou alteram seu posicionamento atual.

Voltando o foco para o dia-a-dia, Serrano aponta que os dados apresentados hoje consolidam a idéia de melhora da inflação no curto prazo e isso pode ajudar a suavizar as expectativas de preço de médio prazo.

Por outro lado, o economista não acredita que essa recente melhora da inflação possa levar o Banco Central a reduzir o ritmo de alta na Selic já na reunião de setembro.

Serrano afirma que o BC não acelerou a alta por conta de indicadores de curto prazo, mas sim por enxergar um cenário pouco confortável para a inflação. Com a alta de 0,75 ponto em julho, a autoridade monetária buscou conter a piora nas expectativas de preços. E com um novo ajuste de mesma magnitude, agora em setembro, o colegiado reitera sua postura de trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% já em 2009.

A alta mais acentuada agora também tem caráter preventivo contra a possibilidade de uma nova rodada de alta no preço das commodities. Algo pouco provável, mas que não pode ser descartado do cenário. Além disso, o BC mostra grande desconforto com o nível de atividade, que ainda não reagiu às medidas de política monetária.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza hoje leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN). As propostas serão tomadas das 12h30 às 13h.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.