SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam sem direção definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O forte pessimismo externo, onde a preocupação com a inflação e com o setor financeiro resulta em maior aversão ao risco, ofusca os dados positivos do mercado interno, como o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que recuou para 0,77% no fim de junho após leitura de 0,89% na terceira medição do mês.

Outra informação que deveria aliviar a pressão sobre as curvas é o recuo na produção industrial em maio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção caiu 0,5% em maio em relação ao mês antecedente, contrariando a previsão de crescimento.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 apresentava baixa de 0,02 ponto percentual, para 13,36% ao ano. O DI para janeiro de 2010 operava com ganho de 0,03 ponto, para 15,17%. Janeiro 2011 recuava 0,02 ponto, para 15,41%. E janeiro 2012 apontava 15,18%, avanço de 0,08 ponto.

Entre os contratos mais curtos, agosto de 2008 ganhava 0,02 ponto, para 12,26%. O vencimento para setembro de 2008 valorizava 0,02 ponto, para 12,50%. E o DI para outubro de 2008 subia 0,01 ponto, projetando 12,73%.

O gestor da Brascan Gestão de Ativos, Luiz Fernando Romano, comentou que os dados apresentados hoje deveriam tranqüilizar o mercado de juros futuros, mas a influência externa se sobressai. Na avaliação dele, os agentes estão bastante retraídos, o que resulta em fraco volume de contratos negociados.

Para o especialista, apesar do recuo na taxa de variação do IPC-S e da menor produção industrial, o cenário para juros não é positivo. Os dados de inflação surpreenderam para cima e devem continuar ruins nos próximos dois meses, observou.

Na análise de Romano, essa deterioração no cenário de inflação aumenta o risco de o Banco Central (BC) ter de ser mais agressivo no ajuste de política monetária, ou seja, abandonar o ritmo de alta de 0,5 ponto percentual na taxa Selic por reunião e adotar passo de 0,75 ponto.

Devido aos dados ruins o mercado já está precificando uma aceleração em algum momento. Ainda trabalho com 0,5 ponto, mas estamos menos otimistas do que antes, afirmou.

Em abril, o BC deu início a um ciclo de aperto monetário reajustando a Selic em 0,5 ponto percentual. A dose foi repetida em junho. Com isso, a taxa básica foi fixada em 12,25% ao ano. O próximo encontro do BC está agendado para os dias 22 e 23 de julho.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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