SÃO PAULO - O tom mais ameno da quarta-feira, depois da injeção US$ 250 bilhões pelos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão, não teve validade para o mercado de juros futuros. As curvas continuaram acumulando prêmios de forma ainda mais acentuada.

Tal movimento está alinhado à disparada no preço do dólar, que superou R$ 1,960 subindo mais de 5% durante o dia, e indica que os investidores estrangeiros seguem desmanchando suas posições no país.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com alta de 0,45 ponto percentual, a 15,30% ao ano,. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,48 pontos, apontando 15,33%, e Janeiro 2012 projetava 15,32%, alta de 0,52 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 caiu 0,02 ponto, para R$ 13,61%. Novembro 2008 fechou com baixa de 0,03 ponto, a 13,63%. Dezembro de 2008 subiu 0,02 ponto para 13,86%, e o DI para janeiro de 2009 ganhou 0,03 ponto, fechando a 14,05% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 745.325 contratos, equivalentes a R$ 63,13 bilhões (US$ 33,30 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 342.600 contratos, equivalentes a R$ 28,59 bilhões (US$ 15,32 bilhões).

De acordo com o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a curva futura não reflete nenhum tipo de fundamento ou expectativa. "O negócio é saída de dinheiro. É investidor estrangeiro saindo de todos os mercados e das posições em juros também, não importa o preço. O mercado foi para a irracionalidade", resume o especialista.

Para ilustrar que ninguém está fazendo conta nesse momento, apenas zerando posições, Petrassi aponta que, no atual patamar, o vencimento janeiro de 2010, referencial de mercado, embute a possibilidade de mais cinco reajustes de 0,5 ponto percentual na taxa Selic.

Reforçando essa visão, aponta o gestor, está o comportamento do câmbio, que chegou a subir mais de 5% ante o real, batendo R$ 1,963 na venda. Petrassi aponta que essa puxada assustadoramente rápida do dólar gera certo pânico no mercado, segurando os exportadores fora e estimulando a antecipação de lucros e dividendos.

Segundo operadores de câmbio, o pregão de hoje foi marcado por rumores de forte saída de recursos do país e uma clara ação especulativa de bancos e tesourarias contra o real.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). De acordo com o resultado prévio, foram ofertadas e tomadas 300 mil LFTs, movimentando R$ 1,077 bilhão. E do total de 500 mil LTN colocadas à disposição, 150 mil foram compradas, custando R$ 139,59 milhões.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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