SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) com vencimento acima de janeiro de 2010 subiram no limite de alta estabelecido pela BM & F, tamanho foi o estresse nas operações de hoje. O humor estava ruim desde a abertura, mas foi piorando ao longo do dia e as ordens sucessivas de stop loss - vendas pré-programadas quando o ativo atinge um determinado preço - resultaram em um dia de forte tensão no segmento.

Além de temores ainda maiores de recessão no exterior, aqui dentro o mercado repercutiu mal a decisão do governo de autorizar a compra de bancos públicos e privados pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, caso seja necessário. O governo nega que haja bancos quebrados na praça, mas o mercado, que já trabalhava com essa hipótese desde que veio à tona o prejuízo da Aracruz com posicionamento em mercado futuro, acredita que alguns bancos já podem estar machucados. Eventuais negociações de empresas em relação a esses débitos de instrumentos futuros com instituições financeiras podem piorar o cenário.

Assim, ao longo do dia, os agentes deram ordens de venda sucessivas, que tiveram de ser renovadas dada a valorização constante das taxas. Segundo Sérgio Machado, gestor da Vetorial Asset, além das ordens de "stop", o mercado também presenciou zeragem de fundos em decorrência de grande exposição na BM & F.

No mercado hoje correram rumores de que a posição de um grande investidor no mercado futuro teve que ser zerada compulsoriamente, por falta de depósitos de margem de garantia. A BM & F não comenta o assunto.

Ao final do pregão, a maioria dos contratos longos mais líquidos atingiram o limite de alta. O vencimento de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 saltou 1,5 ponto percentual, para 16,22% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou a 16,84%, com aumento de 1,55 ponto percentual de alta. E janeiro 2012 projetava 17,43%, ganho de 1,87 ponto.

Entre os curtos, o vencimento para novembro fechou com alta de 0,13 ponto percentual, a 13,78% ao ano. O contrato para dezembro subiu 0,12 ponto percentual, para 14,01%. O DI para janeiro de 2009, o mais negociado deste pregão, saltou 0,28 ponto percentual, para 14,31%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 853.265 contratos, equivalentes a R$ 75,986 bilhões (US$ 34,632 bilhões). O vencimento de janeiro de 2009 foi o mais negociado, com 373.220 contratos, equivalente a R$ 36.359 bilhões (US$ 16.571 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010, o segundo mais líquido, movimentou 293.270 contratos, equivalentes a R$ 24,752 bilhões (US$ 11,281 bilhões).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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