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SÃO PAULO - Depois dos ganhos registrados no começo dos negócios, os contratos de juros futuros passaram a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), operando à parte da instabilidade externa e da alta do dólar. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 recuava 0,05 ponto percentual minutos atrás, a 14,67%. Janeiro 2011 tinha baixa de 0,08 ponto, a 14,55%.

E janeiro 2012 apontava 14,37%, queda de 0,16 ponto.

Na ponta curta, outubro 2008 subia 0,01 ponto, a 13,60. E o DI para janeiro de 2009 era negociado a 14,04%, redução de 0,02 ponto percentual.

O economista-chefe da UpTrend, Jason Vieira, observa que os juros descolaram da incerteza sobre a aprovação do plano de resgate ao setor financeiro norte-americano e passaram a refletir uma dinâmica própria, de inflação mais amena e expectativa de menor aperto monetário. No entanto, o volume é bastante reduzido, o que torna os movimentos do dia pouco representativos.

Avaliando o horizonte de política monetária, Vieira comenta que a restrição de crédito em âmbito global está contribuindo para o trabalho do Banco Central (BC), pois promove uma alta de juros ao consumidor, tirando a necessidade de intervenção da autoridade monetária.

Ainda na análise de Viera, a alteração nas normas sobre depósito compulsório (parcela de recursos que os bancos não podem emprestar) anunciada essa semana não visaram injetar recursos no mercado. A medida pode ser entendida como uma manobra para evitar uma subida muito acentuada do spread bancário que acabaria afetando o ritmo de crescimento econômico de forma mais marcada do que o desejado pelo BC.

Levando em conta que o crédito restrito deve conter o consumo e que os preços internos mantêm dinâmica de baixa, o economista acredita que o BC pode reduzir o ritmo de ajuste na taxa Selic para 0,5 ponto percentual na reunião de outubro.

O ponto de incerteza, no momento, está na possibilidade de o BC estar enxergando alguma ameaça contra o real e manter uma posição mais austera quanto à taxa de juro. Com taxas elevadas, a expectativa é de que dólares venham para o Brasil, reduzindo, assim, o déficit em conta corrente.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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