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SÃO PAULO - O agravamento da crise de crédito internacional promoveu hoje uma acentuada zeragem de posições no mercado de juros futuros. Os investidores saíram de suas posições não só em taxas de juro, mas também na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e correram para o dólar, que subiu 2,41%, para R$ 1,868.

Vale lembrar que a alta do dólar por si já influi na curva futura, pois eleva o risco inflacionário.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com alta de 0,22 ponto percentual, a 14,85% ao ano, maior taxa desde o final de julho. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,31 ponto, apontando, também, 14,85%. E Janeiro 2012 projetava 14,80%, alta de 0,43 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 subiu 0,05 ponto, para 13,63%. Novembro 2008 fechou com alta de 0,02 ponto, a 13,66%. Dezembro de 2008 subiu 0,01 ponto para, 13,84%, e o DI para janeiro de 2009 ganhou 0,01 ponto, fechando a 14,02% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.022.715 contratos, equivalentes a R$ 82,58 bilhões (US$ 44,86 bilhões), montante quase duas vezes maior do que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 499.165 contratos, equivalentes a R$ 41,76 bilhões (US$ 22,68 bilhões).

Segundo o sócio da Paraty Investimentos, Marco Franklin, quando se vê a ponta longa subindo dessa forma e o real se depreciando em um dia em que outras moedas como o euro subiram contra o dólar, a indicação é que os investidores estrangeiros estão saindo do mercado.

Tal movimento não é observado apenas por aqui. É perceptível que os investidores ao redor do mundo estão evitando posições de risco e continuam no "flight to quality" - ou vôo para qualidade -, comprado títulos da dívida norte-americana e ouro.

Para Franklin, a situação atual é crítica e o Departamento do Tesouro dos EUA terá que ampliar suas atuações, dando liquidez ao mercado e salvando instituições para evitar o colapso do sistema bancário norte-americano.

Na avaliação do especialista, a conta dessa crise, de uma forma ou de outra, ficará com o Tesouro dos EUA. Se o governo não ajudar dando liquidez ao mercado, a economia pode afundar em uma recessão, derrubando a arrecadação de impostos. "É um jogo de perde ou perde para o Tesouro, que tem que evitar a recessão e a crise."
Na gestão da dívida pública brasileira, o Tesouro Nacional realizou leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN). De 3 milhões de notas ofertadas, 1,6 milhão foram aceitas, movimentando R$ 1,389 bilhão.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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