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SÃO PAULO - A alta de 0,75 ponto percentual na Selic, agora fixada em 13% ao ano, resulta em um forte ajuste na curva de juros futuros, com os contratos curtos subindo de forma acentuada. Já os vencimentos longos seguem ajustando para baixo, em um movimento técnico, dado que os agentes passaram a acreditar que a aceleração no ritmo de ajuste da taxa resultará em um ciclo de extensão menor.

Há pouco, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para agosto de 2008 subia 0,18 ponto, para 12,83%. O vencimento para setembro de 2008 apontava alta de 0,12 ponto, para 12,84%. O DI para outubro de 2008 valorizava 0,15 ponto, apontando 13,07%. E o contrato com vencimento em janeiro de 2009 apresentava ganho de 0,19 ponto, a 13,71%.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2010 operava com baixa de 0,03 ponto, para 14,81%. Janeiro 2011 perdia 0,19 ponto, 14,63%. E janeiro 2012 apontava 14,26%, decréscimo de 0,26 ponto.

Imagino que o mercado estava enviesado, olhando a situação mais pelo curtíssimo prazo ao invés de fazer uma análise ponta a ponta. A grande deterioração de cenário entre uma reunião e outra foi a motivação para a alta , comentou o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, sobre a iniciativa do Banco Central (BC) com relação ao custo do dinheiro.

Goulart lembra que, apesar da melhora dos dados de inflação nos últimos 15 dias, o patamar de preço segue muito elevado. Além disso, a atividade apresenta ritmo forte, dando alguns sinais de acomodação, mas em patamar bastante elevado. Fora isso, as expectativas deterioram fortemente entre um encontro e outro.

A grande discussão agora, segundo o especialista, gira em torno do discurso do BC. Segundo Goulart, o consenso atual é de que a ação mais agressiva e o uso da palavra tempestiva sugerem que a autoridade monetária está querendo reduzir o tempo do ciclo.

O economista não vê, no entanto, garantia disso. Goulart lembra que quando o BC começou a subir juros em abril a intenção implícita era de ajuste de 200 a 250 pontos base na Selic. Passados 45 dias, o discurso mudou dada a piora de cenário e a intenção ficou sendo de no mínimo 250 pontos de ajuste.

Fica essa sugestão, mas isso não é uma garantia. O BC sinaliza a intenção de um choque maior para conter as expectativas e reduzir o tempo total de ajuste. Agora, se as coisas continuarem piorando ele mantém o número de altas. A garantia, hoje, é ciclo mais intenso e não mais curto , resume o especialista.

Essa leitura de ciclo forte, porém curto, também explica o ajuste de baixa nos vencimentos a longos, ou seja, quanto antes o BC parar de subir, mais cedo as taxas podem voltar a cair.

Segundo Goulart, com o ajuste de 0,75 ponto agora na taxa Selic, fica também a idéia de nova alta de 0,75 ponto na reunião de setembro. Mas tudo ainda depende da evolução da inflação e principalmente das expectativas.

O especialista também aponta que, com a alta mais forte, o BC mira o controle das expectativas, principalmente para 2009. Pelo último boletim Focus, o IPCA para 2009 está projetado em 5%. De acordo com Goulart, dificilmente esta previsão recua para os 4,5%, que é o centro da meta, mas se ela passar a apontar para baixo já seria algo bastante positivo.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza hoje leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). As propostas serão acolhidas das 12h às 13h, com operação especial das 15h às 15h30.

(Eduardo Campos | Valor Online)