SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros não seguiram a instabilidade externa nem o preço do dólar nesta sexta-feira e fecharam o pregão apontando para baixo na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Ao final da sessão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava baixa de 0,06 ponto percentual, a 14,66% ao ano.

O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,07 ponto, apontando, 14,56%, e Janeiro 2012 projetava 14,36%, perda de 0,17 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 subiu 0,02 ponto, para R$ 13,61%. Novembro 2008 fechou com perda de 0,02 ponto, a 13,63%. Dezembro de 2008 encerrou estável, a 13,87%, e o DI para janeiro de 2009 perdeu 0,03 ponto, fechando a 14,03% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 455.415 contratos, equivalentes a R$ 36,95 bilhões (US$ 20,22 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 235.670 contratos, equivalentes a R$ 19,22 bilhões (US$ 10,84 bilhões).

Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, a baixa nos vencimentos não era algo esperado para hoje, mas um movimento concentrado em poucas mesas de operação pressionou os contratos para baixo.

Gonçalves aponta que existe algum fundamento na expectativa de menor aperto monetário por parte do Banco Central, em função com comportamento da inflação e dados recentes de atividade, mas que ainda é muito cedo para formar apostas sobre a postura do BC na reunião marcada para o final do mês de outubro. "Alguns agentes estão subestimando os pulos que o cenário externo pode dar até lá", afirma.

Voltando o foco para a condução da política monetária, o economista aponta que, por ora, mantém a previsão de alta de 0,5 ponto percentual na Selic para o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom). Por outro lado, Gonçalves acredita que o cenário exige cautela, o que, na visão do Banco Central brasileiro, pode significar juros ainda maiores.

Outro ponto de interrogação é como a autoridade monetária encara o comportamento do câmbio. Segundo o especialista, o assunto já ganhou importância para o colegiado, algo evidenciado na última ata do Copom.

Agora, fica alguma expectativa sobre o conteúdo do relatório trimestral de inflação, que será apresentado na segunda-feira. O documento deve fazer referência ao dólar e à cena externa.

Os investidores também receberam hoje os dados sobre a evolução do crédito durante o mês de agosto. O volume global atingiu 38% do Produto Interno Bruto (PIB). O estoque de empréstimos aumentou 2,3% em relação a julho e 31,8% nos 12 meses findos em agosto.

Analisando os dados, o economista chama atenção para o crescimento no crédito para pessoa jurídica, o que sugere melhores condições de oferta, e para o quinto mês consecutivo de retração no segmento pessoa física, o que aponta diminuição da demanda por bens e serviços. "O aumento da participação do crédito no PIB se deve, portanto, ao crédito para o setor produtivo, o que é boa notícia do lado da oferta", avalia.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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