SÃO PAULO - Depois de uma tentativa de alta no começo dos negócios, os contratos de juros futuros voltam a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). A queda nos vencimentos ocorre em meio à divulgação de dados de inflação divergentes, mas pode ser creditada ao melhor ambiente externo.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 perdia 0,03 ponto, a 13,38%. O DI para janeiro de 2010 operava com queda de 0,06 ponto, para 14,96%, depois de subir a 15,15%. Janeiro 2011 registrava desvalorização de 0,08 ponto, para 15,00%. E janeiro 2012 apontava 14,79%, recuo de 0,07 ponto.

Entre os contratos mais curtos, agosto de 2008 não registrava negócios. O vencimento para setembro de 2008 apontava estabilidade a 12,58%. E o DI para outubro de 2008 retrocedia 0,01 ponto, apontando 12,79%.

Pela manhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,69% na segunda leitura de julho, inferior ao 0,79% do começo do mês e abaixo do esperado. Tal medição se junta a outros índices de preços que vinham apontando um arrefecimento da inflação.

Por outro lado, outro indicador da FGV surpreendeu para cima. O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) aumentou 2% em julho, pouco mais do que a taxa registrada um mês antes, de 1,96%. Os preços agrícolas contribuíram para a aceleração.

De acordo como gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra, o IPC-S veio mais tranqüilo, apontando menor alta nos alimentos, mas o IGP-10 mostra exatamente o contrário, com o grupo alimentação voltando a pressionar no atacado, o que não deixa dúvida de que haverá repasses mais à frente.

Por essas incongruências, Cintra afirma que ainda é cedo para afirmar que os alimentos, e a inflação como um todo, atingiram seu pico. Algumas leituras e as próprias coletas de preços apontam, contudo, nessa direção.

Para o gerente, o recuo nas curvas pode ser atribuído à melhora do ambiente externo, onde as commodities em baixa, em especial o petróleo, e a recuperação nas ações do setor financeiro americano ajudam a reduzir a forte aversão a risco que dominou o mercado na terça-feira.

Quanto à condução da política monetária brasileira, Cintra afirma que está muito difícil centrar uma aposta para a reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom).

O especialista acredita em novo aumento de 0,5 ponto percentual, mas não descarta a possibilidade de alta de 0,75 ponto. Não dá para saber o que pode sair , diz Cintra, lembrando que ontem o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a enfatizar a luta contra a inflação e objetivo de 4,5% para o IPCA em 2009, sem descartar a possibilidade de ser mais vigoroso no ajuste.

O Tesouro Nacional realiza hoje leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN). As propostas serão tomadas das 12h às 13h. Serão ofertadas até 3 mil notas em dois vencimentos diferentes.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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