SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros devolvem as perdas registradas na abertura dos negócios e passam a apontar para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os agentes assimilam a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a autoridade monetária reafirma a intenção de levar a inflação para o centro da meta em 2009 e, por isso, da alta de 0,75 ponto percentual na reunião da semana passada, que puxou a Selic para 13% ao ano.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 subia 0,06 ponto, para 14,90%. Janeiro 2011 registrava ganho de 0,01 ponto, 14,56%. E janeiro 2012 apontava 14,16%, valorização de 0,02 ponto.

Na ponta curta, agosto de 2008 ganhava 0,09 ponto, para 12,89%. Setembro de 2008 opera estável a 12,85%. Outubro de 2008 avançava 0,02 ponto, para 13,09%. E o contrato com vencimento em janeiro de 2009 tinha aumento de 0,01 ponto, para 13,71%.

Para o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, a ata sugere que o Banco Central (BC) quer resolver os problemas de descompasso entre oferta e demanda e expectativas de inflação pressionadas de forma rápida, por isso do aumento no ritmo de ajuste da taxa básica. Ele não quer correr o risco de um ajuste mais suave.

Na avaliação do especialista, uma nova alta de 0,75 ponto percentual na reunião de setembro já está praticamente dada depois dos comentários de hoje, mas a autoridade monetária deixou aberto a magnitude dos ajustes para a reuniões de outubro e dezembro.

Segundo Goulart, tudo depende da evolução dos dados, e no documento apresentado hoje, o BC deu várias dicas sobre o que ele vai olhar para tomar sua decisão. Os pontos centrais são a redução do descompasso entre a oferta e a demanda e queda nas expectativas de inflação.

Desde a outra ata o mercado tem interpretado a ação do BC como uma concentração de energia em 2008, para ter um 2009 mais certo e já em 2010 não ter mais necessidade de subir juros. O problema é que essa é a vontade. Agora, se isso vai dar certo, não se sabe , resume.

Goulart disse que o que se pode captar da ata é que não há definição do tamanho total do ajuste. Os dados podem até continuar melhorando até a próxima reunião, mas não de forma suficiente para fazer o BC mudar de idéia.

Outro ponto importante destacado pela ata é que, mesmo com uma acomodação no preço das commodities, o ritmo de expansão da demanda doméstica continua apresentando risco importante para a dinâmica inflacionária. Nesse contexto, a redução pronta e consistente do descompasso entre o crescimento da oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária , diz o BC na ata.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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