SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros voltaram a operar conforme as perdas nas bolsas e a disparada no preço do dólar, fechando a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros. (BM & F).

Por dois dias as curvas operaram à parte da aversão global ao risco, que resulta em corrida para os títulos da dívida dos EUA e aumento na taxa Libor, referência mundial de juros.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava alta de 0,17 ponto percentual, a 14,54% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,31 ponto, apontando 14,44%, e Janeiro 2012 projetava 14,37%, ganho de 0,38 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para novembro 2008 fechou estável a 13,63%. Dezembro de 2008 avançou 0,01 ponto, para 13,85%. E o DI para janeiro de 2009 encerrou apontando 14% ao ano, alta de 0,02 ponto.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 685.350 contratos, equivalentes a R$ 56,89 bilhões (US$ 29,61 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 312.820 contratos, equivalentes a R$ 26,43 bilhões (US$ 13,75 bilhões).

Segundo o economista do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, a formação da curva, hoje, foge a qualquer fundamento, refletindo exclusivamente o ambiente de pânico nos mercados externos, que resulta em forte aversão ao risco.

Dentro desse ambiente, Neto aponta que a mentalidade é "vende tudo a qualquer preço", o que vale também para os DIs. E no mercado de juros esse movimento é estimulado pela disparada no preço do dólar, que voltou a valer mais de R$ 2,0.

O que promove esse dia instável, segundo o especialista, é uma seqüência de notícias negativas, como preocupação com a saúde do setor financeiro, congelamento dos mercados de créditos e a incerteza sobre qual será a atitude dos congressistas norte-americanos que devem votar, amanhã, uma segunda versão do pacote de resgate do setor financeiro.

Para o economista, quando o mercado voltar a operar com base nos indicadores internos, as curvas devolverão os prêmios acumulados. A inflação segue em baixa e atividade econômica dá sinais de retração.

Quanto à condução da política monetária, Neto acredita que o Banco Central reduzirá o tamanho do ciclo de alta na taxa de juros, realizando apenas mais um ajuste de 0,5 ponto percentual na Selic.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). De acordo com o resultado prévio, 1,91 milhão de LTNs foram colocadas de um total de 2 milhões ofertadas. A aceitação de NTN-Fs também foi grande, com 750 mil compradas de 900 mil ofertadas. As duas operações movimentaram R$ 2,3 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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