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Mercados: Descolada do mercado externo, Bovespa cai 2,35%

SÃO PAULO - A forte melhora de sentimento externo não ecoou por aqui. Enquanto os mercados na Ásia, Europa e Estados Unidos tiveram acentuada valorização, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a segunda-feira em território negativo. O Ibovespa perdeu 2,35%, encerrando aos 50.717 pontos, com giro financeiro em R$ 5,14 bilhões.

Valor Online |

Pela manhã, o índice fechou a subir 3,4%, batendo os 53.700 pontos, reagindo à intervenção do Tesouro dos Estados Unidos na Freddie Mac e Fannie Mae. As duas financeiras hipotecárias estão sob controle do governo por tempo indeterminado e receberão uma linha de crédito de até US$ 200 bilhões para continuar operando.

A notícia, que foi divulgada domingo, teve efeito bastante positivo na Ásia e Europa. Em Tóquio, o Nikkei 225 ganhou 3,38%, e em Frankfurt, o Xetra-DAX subiu 2,22%.

Em Wall Street, os investidores também receberam bem a notícia, que ajuda a reduzir a incerteza sobre o mercado de crédito imobiliário já que as duas financeiras respondem por mais de US$ 5 trilhões em hipotecas. O Dow Jones encerrou o dia com alta de 2,59%. E o Nasdaq, depois de um passeio pelo território negativo, subiu 0,62%.

O professor de economia do Ibmec Rio André Comunale afirma que há tempos não via um dia tão esquisito como o de hoje, com o índice abrindo em forte alta e devolvendo todo o ganho mesmo com valorização expressiva em Wall Street. Isso denota que não há dinheiro para compras no Brasil. Ninguém quer assumir posição comprada, afirma.

Comunale lembra que nos EUA e na Europa as retomadas são mais fáceis, pois o dinheiro já está por lá. Mas ninguém quer sair de casa para tomar risco em outros mercados.

Segundo o professor, na situação atual os fundamentos da economia brasileira não têm valor e até as vendas técnicas feitas pelos fundos já ficaram para trás. A questão não é macro nem micro, é fluxo mesmo. Falta dinheiro para fazer o mercado andar.

O que desanima, segundo o especialista, é que não há expectativa de dinheiro novo ingressando no mercado brasileiro no curto prazo. Segundo Comunale, enquanto a crise financeira dos Estados Unidos não estiver resolvida, os investidores não ser arriscarão em outros mercados.

O resgate das financeiras nos Estados Unidos também deu novo fôlego ao dólar o que, automaticamente, tira atratividade das commodities, principal vetor de alta dos carros-chefe do Ibovespa. Petrobras PN caiu 5,02%, para R$ 30,26, Vale PNA cedeu 3,46%, fechando a R$ 34,85.

De acordo com Comunale, o menor preço das commodities não deveria ter caráter estritamente negativo para as ações brasileiras, pois são as matérias-primas mais baratas que permitirão que a economia mundial continue crescendo.

Queda também para BM & FBovespa ON, que recuou 5,83%, para R$ 10,17. Liderando as perdas dentro do índice, o papel PNB da Cesp, que fechou a R$ 20,69, baixa de 8,81%. O ativo sofre com notícias desencontradas sobre a privatização e renovação das concessões de duas de suas principais usinas hidrelétricas.

Destaque positivo para o setor financeiro, os papéis acompanharam seus pares internacionais e operaram em alta durante todo o pregão. O papel PN do Bradesco ganhou 2,14%, para R$ 30,90, Itaú PN subiu 1,01%, para R$ 31,00, e as units do Unibanco subiram 1,17%, para R$ 18,92.

As construtoras também garantiram valorização hoje. Cyrela ON teve alta de 4,95%, para R$ 19,05, e Gafisa ON avançou 2,20%, encerrando a R$ 23,20.

Fora do índice, destaque para o papel ON da Log-In Logística, que fechou com alta de 9,95%, a R$ 8,84. A companhia anunciou um novo programa de recompra de ações na sexta-feira. Em direção contrária, a ação ON da construtora InPar perdeu 10%, e agora vale R$ 2,70.

O ativo ON da Magnesita subiu 4,82%, para R$ 18,45. A fabricante de material refratário utilizado por siderúrgicas e cimenteiras comprou a empresa alemã LWB e agora é a terceira maior do mundo no setor. O valor do negócio é de 657 milhões de euros.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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