SÃO PAULO - A saída de dólares do mercado brasileiro e operações com derivativos continuam influindo sobre a determinação na taxa de câmbio à vista. Nesta quinta-feira, o dólar ganhou valor ante o real pelo quarto pregão consecutivo, seqüência de alta não observada desde o começo de maio.

Depois de cair a R$ 1,573 no começo da sessão, as compras se acumularam puxando a divisa para R$ 1,590 na compra e R$ 1,592 na venda, alta de 0,88%. Tal ganho percentual é o maior desde 10 de junho.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 0,98%, para R$ 1,5925. O volume financeiro somou US$ 471,25. O giro interbancário somou US$ 3,8 bilhões.

Para o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, o mercado se ajusta depois que os dados sobre o fluxo cambial apresentados ontem pelo Banco Central sugeriam crescente demanda por moeda estrangeira.

Medeiros lembra que os bancos vêm reduzindo de forma significativa suas posições compradas no mercado físico, ou seja, eles vêm atendendo à demanda por moeda. Mas, por outro lado, as saídas financeiras vêm crescendo substancialmente, puxadas pelas remessas de lucros e dividendos - com destaque para o setor financeiro e montadoras - e realizações de lucro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Na conta comercial (exportações menos importações), Medeiros aponta uma mudança de dinâmica. No começo do ano, os exportadores aproveitaram a taxa e venderam muito mais moeda do que o mercado efetivamente ia embarcar. Agora, é perceptível uma reversão, com os embarques físicos superando o câmbio contratado, ou seja, os exportadores estão esperando uma alta na taxa para fechar suas operações.

Segundo o diretor da Pioneer, o mercado de câmbio pode ter atingido um ponto de reversão. A preocupação agora é a zeragem dos estoques dos bancos, que estão em cerca de US$ 3 bilhões, ou tentativas de apreciação manipulada por parte do mercado, com os agentes segurando as posições em dólar para puxar uma alta na taxa. Nesse caso, o BC pode mudar de estratégia, e passar a realizar leiloes de venda de moeda.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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