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Mercados: Decisão do Copom promove ajuste de alta nos DIs curtos

SÃO PAULO - A alta de 0,75 ponto percentual na Selic, anunciada na noite de ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), promoveu um acentuado ajuste na curva de juros futuros, já que a maior parte das apostas estava concentrada em aumento de 0,5 ponto.

Valor Online |

A elevação mais acentuada da Selic, que agora está em 13% ao ano, também leva os agentes a precificar ao menos mais um ajuste de mesma magnitude, o que também impulsiona o acúmulo de prêmios nos vencimentos mais curtos.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento agosto de 2008 encerrou o dia com alta de 0,17 ponto, a 12,82%. Setembro de 2008 teve ganho de 0,13 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 valorizou 0,14 ponto, para 13,06. E o vencimento janeiro de 2009, que teve alta de 0,18 ponto, para 13,70%.

Já na ponta longa, o movimento foi de baixa, com parte dos agentes acreditando que ao acelerar o ritmo, o BC deve optar por um ciclo mais curto de ajuste. O DI para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com perda de 0,05 ponto, a 14,86% ao ano. O vencimento janeiro 2011 caiu 0,23 ponto, a 14,59%. E janeiro 2012 recuou 0,27 ponto, para 14,25%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 2.133.955 contratos, equivalentes a R$ 192.55 bilhões (US$ 121,61 bilhões), montante 27% maior que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 442.970 contratos, equivalente a R$ 36,24 bilhões (US$ 22,89 bilhões).

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, em dias após reunião do Copom o ajuste é normal, ainda mais com o mercado dividido. Quem perdeu arruma o estrago e quem ganhou realiza lucro.

Serrano acredita que a forte deterioração das expectativas pesou mais na decisão do BC do que os sinais de arrefecimento da atividade e recuo marginal da inflação corrente. Ele não quis correr o risco e aumento a intensidade do ajuste.

Ainda de acordo com o economista, um novo ajuste de 0,75 ponto na reunião de setembro está praticamente contratado. Ao fazer isso, o BC também aumenta a probabilidade de um ciclo mais curto, ou seja, a elevação dos juros poderá ficar restrita a 2008. Como a alta está mais concentrada, o BC coordena melhor as expectativas.

Para Serrano, um sinal claro de que o mercado pegou o recado do BC foi a movimentação das curvas futuras hoje: alta nos longos e recuo nos curtos. No entanto, a confirmação de tal cenário segue dependente do comportamento da inflação até o final do ano.

Segundo o economista, ao colocar a palavra tempestivamente no comunicado apresentado junto com a decisão, o BC indica que não vai arredar o pé, ou seja, quer que a expectativa de inflação de 2009 convirja para o centro da meta, fixado em 4,5%. O BC está mostrando que sobe os juros não importa o que acontecer.

Mas esse ajuste nas expectativas de inflação não deve ser imediato, diz o economista. Para Serrano, as expectativas para 2008 podem recuar de forma mais rápida, mas as de 2009 devem ter um ajuste um pouco mais lento. Pelo Focus da semana passada, a estimativa para o IPCA no final do ano que vem está em 5%.

A atuação mais agressiva e tal sinalização vão de encontro aos últimos pronunciamentos do titular do Banco Central, Henrique Meirelles, que disse que fará o que for necessário por quanto tempo for necessário para assegurar inflação dentro da meta.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou hoje leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). De acordo com o resultado prévio, das 2,5 milhões de LTNs ofertadas, 1,491 milhão foram tomadas, movimentando R$ 1,144 bilhão. E das 2,3 milhões de notas colocadas à venda, 2,03 milhão foram compradas, com giro financeiro de R$ 1,809 bilhão.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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