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Mercados da América Latina sofrem impacto da crise financeira dos EUA

São Paulo, 16 set (EFE) - Os mercados da América Latina viveram hoje outro dia de forte volatilidade, um dia depois da segunda-feira negra causada pela crise financeira nos Estados Unidos, que atingiu especialmente os países emergentes. O pânico da véspera voltou a ser percebido hoje na abertura das principais bolsas da região, mas na reta final algumas mudaram de rumo e passaram à margem dos lucros. As piores quedas do dia foram do IGBC da Bolsa de Valores da Colômbia (3,78%), do IGBVL de Lima (3,35%) e do IPSA de Santiago (1,74%), enquanto o Ibovespa, que chegou a ter baixa durante o dia de 4,36%, se beneficiou da alta de Wall Street e subiu 1,68%. O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires, que também abriu com perdas, avançou 0,61%. Já a bolsa mexicana, que na véspera tinha caído 3,79%, não operou hoje devido ao feriado.

EFE |

"Não há como saber se o pior já passou. A sensação é que estamos realmente no meio de um vendaval", disse à Agência Efe o diretor da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Antonio Carlos Colangelo Luz.

A turbulência externa também afetou de novo os mercados de divisas, onde as moedas locais voltaram a perder espaço para o dólar, tendência que, para alguns analistas, pode continuar enquanto não for vista uma luz no fim do túnel do sistema financeiro americano.

"O dólar deve continuar em alta perante as moedas latino-americanas, porque em momentos de crise essa divisa deixa de responder aos fundamentos da oferta e procura e passa a ser uma reserva de valor para os investidores", disse à Agência Efe o analista Nelson Carneiro, da agência de classificação Austin Rating.

Segundo os analistas, em tempos difíceis como este, por mais que o sistema financeiro dos Estados Unidos esteja em crise, os investidores preferem vender títulos de empresas de países emergentes, como os latino-americanos, e buscar refúgio no dólar, o que também causa estragos nas bolsas da região.

"Os investidores estrangeiros estão saindo dos mercados emergentes e vendendo ações de commodities", principalmente minerais, disse Carneiro.

A venda em massa de papéis de empresas dedicadas à produção e exportação de matérias-primas, que nos últimos dias derrubou os setores de mineração e metalúrgico, é conseqüência ainda do temor dos agentes financeiros de uma freada repentina da economia mundial.

Para os especialistas, a economia real dos países latino-americanos ainda não foi contaminada pela crise financeira, como demonstra o crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro semestre, mas o horizonte parece cada vez mais nublado.

Os investidores têm dúvidas sobre a saúde da economia americana, temem uma recessão no Japão e uma desaceleração na Europa, o que reduz a demanda de matérias-primas, das quais a América Latina é grande produtora.

"Há uma grande incerteza, porque o ritmo de atividade dos países desenvolvidos tende a cair e até um emergente como a China fala de um crescimento menor. Essa expectativa penaliza as empresas voltadas para matérias-primas", opinou Colangelo.

Para o analista, embora os mercados latino-americanos tenham sofrido no passado as conseqüências de outras graves crises, a atual "parece pior, pois envolve as grandes corporações financeiras dos EUA, com reflexos na Europa e Japão".

No entanto, os especialistas dizem que os emergentes agora estão mais preparados que antes para enfrentar as turbulências externas.

Isso pode ser visto no grau de investimento obtido pelas economias de Brasil, México, Chile e Peru, e também no aumento das reservas internacionais da maioria dos países latino-americanos, que na bonança financeira dos últimos anos se prepararam para enfrentar períodos de vacas magras. EFE joc/rb/db

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