SÃO PAULO - Movidos por dólar alto e pela forte aversão a risco no mundo todo, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) fecharam com forte valorização entre os vencimentos de longo prazo e ajuste de baixa para as taxas mais curtas. Ao final do pregão, o contrato de DI com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava alta de 0,24 ponto percentual, a 14,99% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou com salto de 0,58 ponto percentual, a 15,70%, na máxima do dia.

Janeiro de 2012 projetava 16,07%, ganho de 0,75 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimentos para novembro fechou com recuo de 0,02 ponto percentual a 13,66% e de dezembro 13,77%, com queda de 0,02 ponto percentual também. O DI para janeiro de 2009 fechou praticamente estável, com queda de 0,01 ponto, para 13,96% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 448.315 contratos, equivalentes a R$ 37,28 bilhões (US$ 17,11 bilhões), ontem 718.135. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 208.910 contratos, equivalentes a R$ 17,62 bilhões (US$ 8,08 bilhões).

A queda nas taxas dos contratos de curto prazo revela apostas de que o Banco Central pode suspender a alta de juros devido às dificuldades com crédito geradas pela crise financeira global. Sem crédito, a atividade tende a arrefecer, o que compensaria o risco inflacionário de um dólar mais valorizado.

Para os contratos longos, Alexandre Ferreira, vice-presidente de tesouraria do banco WestLB, explica que a força motora para a valorização das taxas está ligada ao aumento da aversão a risco e à necessidade de desalavancagem dos investidores por conta do quadro externo insolvente e sem liquidez.

Segundo Marcos Forgione, operador da Hencorp Commcor Corretora, o fluxo de negócios foi alinhado com o ritmo dos últimos dias. Os contratos de janeiro de 2012, que melhor espelham a tensão dos estrangeiros e locais com a incerteza sobre o futuro chegou a passar de 16% ao ano nesta semana..

O consenso é de que não há parâmetros em nenhum dos mercados neste momento e as esperanças para uma solução apaziguadora dessa crise de confiança e de solvência estão centradas nas reuniões do G7 e do G20, que se encontram em Washington hoje e amanhã.

"É bastante positiva a integração dos governos. Essa mobilização mundial mostra que há comprometimento em resolver. Resta saber o tamanho do prejuízo gerado pela crise", diz Forgione.

Para Ferreira, enquanto as decisões dos desenvolvidos passam pelo enfrentamento da insolvência, entre os membros do G-20 a discussão de medidas será em torno da falta de liquidez e de como os bancos centrais e governos das nações em desenvolvimento podem prover essa necessidade em seus países, principalmente por meio de reservas internacionais.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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