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Mercados: Crise piorou e derrubou Bovespa em 6,7%; dólar subiu forte

SÃO PAULO - Pânico: esta foi a palavra mais utilizada por gestores, operadores e economistas para descrever o comportamento dos mercados na quarta-feira. A expectativa de um dia de alívio depois do resgate da AIG não foi atendida e a jornada foi cercada de mais e mais incerteza e um movimento mundial de zeragem de posições e busca por proteção.

Valor Online |

Os agentes passaram a se questionar até quando o Tesouro dos Estados Unidos e o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, vão conseguir salvar instituições e prover liquidez ao sistema financeiro.

O dia também foi pontuado por uma série de notícias negativas que elevaram a crença de que a crise é sistêmica, ou seja, está se espalhando com velocidade para todo o setor financeiro.

Até os Money Market Funds (MMF), veículos de investimento que visam ao curto prazo com baixo risco, passaram a ser fonte de preocupação depois que um deles teve que congelar os saques depois de tomar um calote com papéis do Lehman Brothers.

Isso evidência um dos maiores temores do mercado que é o risco da contraparte. A instituição pode até estar saudável, mas se tem dinheiro a receber dos falidos passa a ser má pagadora também. Colocado de outra forma, como os bancos e instituições financeiras emprestam e devem uns para os outros, se um falha os outros também vão falhar.

Outro ponto curioso é que os rumores que correrem durante o pregão não demoram em ganhar contornos mais sólidos e até se confirmam. O Morgan Stanley, que era tido como o próximo banco de investimento a cair, deve se juntar com o Wachovia de acordo com reportagem do New York Times. Também saíram reportagem de que o Washington Mutual "se colocou à venda".

Somando insegurança entre os agentes, a Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado norte-americano) anunciou novas restrições para operações descobertas (investidor sem papel apostando em preços futuros). " Ninguém gosta de regulador se metendo dessa forma no mercado " , disse operador.

Os eventos dos últimos dias - nacionalização da Freddie Mac e Fannie Mae, colapso do Lehman Brothers, venda do Merrill Lynch e o resgate da AIG - estão promovendo uma rodada de zeragem de posições por parte dos fundos de hedge e outros investidores institucionais.

Sinal claro disso foi a queda nas taxas de retorno dos títulos da dívida dos EUA e a disparada no preço do dólar. Os dois ativos são clássicos destinos do " flight to quality " , ou vôo para a qualidade. Mas aqui cabe uma ressalva que evidencia o tamanho do desespero. Atualmente, os títulos da dívida norte-americana têm rendimento negativo.

Por aqui, esse cenário se traduziu em acentuada alta no dólar, vendas indiscriminadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e disparada nos juros futuros.

A Bovespa voltou ao patamar de preço de abril do ano passado, valendo menos de 46 mil pontos. Com todos os 66 papéis em baixa, o Ibovespa encerrou ontem com perda de 6,74%, aos 45.908 pontos. Destaque para o giro financeiro de R$ 7,45 bilhões, o maior para dias sem vencimento de índice e opções desde 17 de julho.

Em três pregões, o indicador caiu 12,37%, o que eleva a baixa acumulada no mês para 17,55%. Desde a máxima de 73.516, alcançada em 20 de maio, a derrocada já é de 37,5%.

No câmbio, os agentes indicaram saída física de recursos, principalmente no período da manhã, impressão reforçada pelo giro interbancário do dia, que passou de US$ 3,5 bilhões contra os US$ 1,6 bilhões da terça-feira.

No entanto, remessas não são a regra e isso ficou evidente pelos dados do saldo cambial parcial de setembro, positivo em US$ 3,6 bilhões. Ou seja, muito da valorização do dólar, que já subiu 14,25% desde o começo do mês, é especulação contra o real mesmo. Algo evidenciado pelo aumento das posições compradas na BM & F.

Ao final do dia, o dólar comercial apontava valorização de 2,41%, negociado a R$ 1,866 na compra e R$ 1,868 na venda, maior patamar de preço desde setembro de 2007. No começo da tarde, momento de maior incerteza do dia, a divisa disparou 3,62%, testando R$ 1,890.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda fechou com alta de 2,31%, valendo R$ 1,861. O volume financeiro somou US$ 203 milhões.

O mercado de juros futuros também refletiu o desmanche de posições. Os contratos longos dispararam em um pregão bastante movimentado com mais de 1 milhão de contratos trocando de mãos.

A alta nos vencimentos longos somado à valorização da moeda estrangeira denuncia a saída dos estrangeiros do mercado.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, fechou com alta de 0,22 ponto percentual, a 14,85% ao ano, maior taxa desde o fim de julho. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,31 ponto, apontando, também, 14,85%. E Janeiro 2012 projetava 14,80%, alta de 0,43 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 subiu 0,05 ponto, para 13,63%. Novembro 2008 fechou com acréscimo de 0,02 ponto, a 13,66%. Dezembro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,84%, e o DI para janeiro de 2009 ganhou 0,01 ponto, fechando a 14,02% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.022.715 contratos, equivalentes a R$ 82,58 bilhões (US$ 44,86 bilhões), montante quase duas vezes maior do que o observado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 499.165 contratos, equivalentes a R$ 41,76 bilhões (US$ 22,68 bilhões).

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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