SÃO PAULO - Depois de terem caído em bloco no último pregão, os Depósitos Interbancários (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) repercutem o agravamento da crise financeira global e a forte valorização do dólar nesta jornada. Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 avançava 0,16 ponto percentual, a 14,91%. Janeiro 2011 tinha alta de 0,44 ponto, a 15,56%.

E janeiro 2012 apontava 15,54%, elevação de 0,63 ponto.

Na ponta curta, novembro de 2008 operava com baixa de 0,04 ponto percentual, a 13,64%. Dezembro de 2008 marcava 13,76%, queda de 0,03 ponto. O DI para janeiro de 2009 era negociado a 13,97%, declínio de 0,04 ponto.

O comportamento dos contratos de curto prazo aponta para análise de que o Banco Central (BC) deve brecar sua política de alta de juros, tendo em vista a retração econômica mundial e a desaceleração da atividade local devido á redução da oferta de crédito. Ainda que não haja consenso nesse sentido, a baixa das taxas de curto prazo se traduz forte incerteza para a reunião do Comitê de Política Monetária, nos próximos dias 28 e 29.

Para os contratos longos, Alexandre Ferreira, vice-presidente de tesouraria do banco WestLB, explica que a força motora para a valorização das taxas está ligada ao aumento da aversão a risco e à necessidade de desalavancagem dos investidores por conta do quadro externo insolvente e sem liquidez. A alta dos DIs também envolve os riscos inflacionários futuros, de médio e longo prazo, que seriam gerados com o eventual afrouxamento da política monetária e a forte valorização dólar.

Nesses contratos a medida de risco está bastante volátil e o contrato de janeiro de 2012, mas relacionado com as perspectivas em relação ao futuro já chegou a passar de 16% ao ano nesta semana.

As expectativas ainda são sombrias e estão em grande parte dependentes das decisões que o G7 e o G20, que se reúnem a partir de hoje em Washington, tomarão para frear o pânico e restabelecer um pouco a normalidade.

Para Ferreira, enquanto as decisões dos desenvolvidos passam pelo enfrentamento da insolvência, entre os membros do G-20 a discussão de medidas será em torno da falta de liquidez e de como os bancos centrais e governos das nações em desenvolvimento podem prover essa necessidade em seus países, principalmente por meio de reservas internacionais.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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