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Mercados: Commodities voltaram a contribuir e Bovespa teve nova alta

SÃO PAULO - Apoiados no movimento de valorização das commodities e queda do dólar, os mercados brasileiros deram continuidade à recuperação iniciada na terça-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu mais de 3% e retomou os 55 mil pontos e o dólar seguiu perdendo valor ante o real. Exceção para os juros futuros, que seguiram oscilando próximo da estabilidade, sem notícias com força suficiente para estimular uma reformulação das apostas quanto à condução da política monetária.

Valor Online |

Em Wall Street, o pregão foi bastante instável, com os índices oscilando conforme o preço do petróleo e as preocupações com o setor financeiro. Mesmo assim, o Dow Jones garantiu alta de 0,61% e o Nasdaq avançou 0,20%.

Por aqui, a valorização no preço do petróleo, dos metais e dos produtos agrícolas encorajou a compra de ações na Bovespa. Além disso, os carros-chefe do índice receberam recomendações de compra ou foram alvo de comentários positivos por parte de corretoras e bancos estrangeiros.

Pelo baixo volume de negócios, de R$ 4,72 bilhões, ainda não dá para afirmar que os estrangeiros estão de volta à ponta compradora, mas algum movimento nesse sentido já é perceptível. Para alguns analistas, o grande responsável pela retomada pode ter sido mesmo o investidor interno.

Ao final da terça-feira, o Ibovespa apontava 55.377 pontos, com valorização de 3,24%. Esse foi o maior ganho percentual diário desde 30 de julho. Destaque para Vale PNA e Petrobras, que ganharam 6,97% e 4,84%, respectivamente.

O diretor de investimentos da Prosper Gestão de Recurso, Júlio César Martins, indica que grande parte da queda de mais de 20% do Ibovespa nos últimos dois meses e meio é reflexo direto da saída de mais de R$ 16 bilhões em investimentos estrangeiros. Em outras palavras, os papéis caíram por causa de fluxo e não por revisão nas perspectivas de resultado.

O que promoveu a saída foi a idéia de queda acentuada para o preço das matérias-primas aliada às incertezas sobre a economia mundial e o setor financeiro dos EUA. No entanto, para Martins, mesmo com preços mais baixos, o atual valor das commodities garante a rentabilidade para os produtores, ou seja, os lucros estão garantidos. Além disso, a demanda segue firme, mesmo com as expectativas de menor crescimento para as economias desenvolvidas.

A questão agora é saber se o preço atual já reflete apenas os fundamentos de oferta e demanda ou se ainda já é uma ´gordura´ relativa às operações especulativas no mercado futuro.

Falando em especulação, esse é o melhor termo para explicar a valorização do dólar ante o real desde o começo do mês. As apostas contra o real ficaram evidentes depois que o Banco Central (BC) apresentou o saldo cambial parcial para o mês e ele estava positivo em mais de US$ 3,7 bilhões até o dia 15.

O que explica o ganho de valor do dólar mesmo com uma grande oferta de moeda no mercado é o aumento nas posições compradas - apostas contra o real - no mercado futuro, que acabam ecoando no mercado físico.

Segundo os operadores, desde a terça-feira, é visível uma desmanche dessas posições compradas, com os investidores não enxergando fundamentação para manter as apostas conta o real.

Depois de cair a R$ 1,616 na mínima, o dólar comercial encerrou negociado a R$ 1,618 na compra e R$ 1,620 na venda, queda de 0,43%. No mês, a moeda ainda acumula valorização de 3,64%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda cedeu 0,52%, também para R$ 1,6185. O volume financeiro somou US$ 208,5 milhões, montante 42% maior que o observado um dia antes.

Os juros futuros seguem presos a uma pequena banda de oscilação, já que a expectativa geral sobre a atuação do Banco Central (BC) não mudou. O formato da curva denota uma expectativa de altas de juros mais pronunciada agora, o que reduz a incerteza com o rumo da inflação no futuro e, conseqüentemente, possibilita a visualização de taxas menores em um horizonte mais longo.

A melhora da inflação de curto prazo está consolidada e a queda nos índices no atacado ainda deve chegar ao varejo. No entanto, em sua última ata, o BC disse que sua preocupação maior é com o descompasso entre a oferta e a demanda. E os sinais que o mercado recebeu até agora são de crescimento econômico ainda forte.

Isso reforça a expectativa de nova elevação de 0,75 ponto percentual na Selic, mas alguns economistas indicam que, mantida a trajetória de recuo acentuado da inflação, o BC pode pegar mais leve no ajuste monetário, comprometendo menos o crescimento da economia.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava alta de 0,02 ponto, a 14,62% ao ano. O vencimento janeiro 2011 finalizou sem alteração a 14,27%. E janeiro 2012 ganhou 0,02 ponto, para 13,98%.

Entre os curtos, os vencimentos para setembro e outubro de 2008 fecharam estáveis a 12,87% e 13,18%, respectivamente. Novembro de 2008 encerrou a 13,37%, com alta de 0,02 ponto. E o DI para janeiro de 2009 valorizou 0,02 ponto, para 13,81% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 413.450 contratos, equivalentes a R$ 34,41 bilhões (US$ 21,06 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 171.980 contratos, equivalente a R$ 14,27 bilhões (US$ 8,73 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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